23 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

“210 milhões em ação”: Estatal exibe jogo do Brasil mandando abraços para Bolsonaro

“Salve a Seleção”: Vitória por 4 a 2, com três de Neymar, contou com bolsonaristas caçoando a “globolixo”

Após a desistência da Globo, a CBF anunciou quase uma hora antes do apito inicial que negociara um acordo para exibição de Peru e Brasil, pela segunda rodada das eliminatórias da Copa do Mundo, na TV pública e no site da entidade.

A TV Brasil estão escalou a sua equipe de esportes para a transmissão. A vitória do Brasil sobre o Peru por 4 a 2 teve narração de Andre Marques e comentários de Marcio Guedes.

Começou então o ode aos responsáveis por conseguir a exibição da partida.

Como foi em cima da hora, era de se entender que a audiência não estava tão boa. Por isso, Marques pediu aos espectadores para avisarem aos amigos que o jogo estava sendo transmitido pela TV Brasil. “Compartilha no grupo de whatsapp, espalha a novidade, Brasil e Peru na TV Brasil”.

Foi quando a estatal foi além, depois de uma saudação do narrador à cúpula da Confederação Brasileira de Futebol e ao presidente da República:

“Um abraço especial para o presidente Jair Bolsonaro, que está assistindo ao jogo. Um abraço presidente”. Andre Marques.

“O presidente torce para o Palmeiras, em São Paulo, e para o Botafogo, no Rio”. Marcio Guedes.

Além disso, uma mensagem oficial foi lida por Marques durante o segundo tempo:

“Em nome da secretaria especial de comunicação social da Empresa Brasil de Comunicação e do secretário Fabio Wajngarten, agradecemos à CBF, nas pessoas do presidente Rogerio Cabolco, do secretário-geral Walter Feldman e do diretor Eduardo Zerbini. E um abraço especial também ao presidente Jair Bolsonaro, que está assistindo ao jogo”. Andre Marques.

Ou seja: assim como na TeleSur, rede fundada por Hugo Chávez e patrocinada por Fidel Castro, aconteceu por aqui esse tipo de comportamento, absolutamente servil, mandando abracinhos.

E é isso. Com três de Neymar, que superou Ronaldo na artilharia da Seleção, ficando agora atrás apenas de Pelé, a transmissão caiu na política do pão e circo, com críticas à Rede Globo, que como outros canais e empresas está cortando gastos e elogios a Bolsonaro.

Importante salientar que o presidente continua sendo responsável por novos tempos no Brasil. Um recesso. Coisa dos anos 70, quando o esporte era usado para desviar a atenção dos inúmeros problemas institucionais. Um recesso, mas são novos tempos. Regredimos realmente nas décadas.

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