27 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Marcelo Firmino

A insensatez e o desrespeito de um bispo de PJ no ataque a Caetano Veloso

Seu direito de opinião é legítimo, seu desrespeito à obra alheia não.

“Tem um imbecil que nos ano 70 cantou que é proibido proibir. Queria dar veneno de rato para ele”.

Foi exatamente essa fala do bispo Dom José Francisco Falcão, durante homilia em missa para os militares em uma igreja do Planalto, com a presença da viúva do coronel Brilhante Ustra, um dos denunciados nos casos de tortura durante a ditadura militar.

Dom José Francisco Falcão

A expressão utilizada por ele de forma desmedida, logo foi ligada ao cantor e compositor Caetano Veloso, autor da música “é proíbido proibir”. Música gravada pelo próprio Caetano e pelo grupo Os Mutantes, que tinha Rita Lee como vocalista.

Pois bem. O que se percebe é que mundo está às avessas mesmo. O papa Francisco a cada dia dar demonstrações claras de humanismo, respeito e transparência em suas pregações. Mas, seus seguidores, em grande parte, parecem surfar na contramão.

O bispo lá de Brasília, mas paulojacintense da gema como eu (natural de Paulo Jacinto – PJ), tem seu direito legítimo de emitir opinião a transcender o mundo religioso, dentro ou fora da sua homilia, mas sugerir que gostaria de matar alguém por ter este se manifestado contra a sua corrente de pensamento é, no mínimo, uma insensatez desnaturada.

Ele tem direito de ser reacionário, de reverberar sua opção política e até de puxar saco de general. Mas não tem o direito ao desrespeito com a obra alheia. Triste e deselegante, eminência.

Infelizmente, estamos vivendo a era do desrespeito pleno. Nem os religiosos são mais exemplos.

Lamentável.

 

Em tempo, a íntegra da letra de É proibido proibir

Autor: Caetano Veloso

A mãe da virgem diz que não
E o anúncio da televisão
Estava escrito no portão
E o maestro ergueu o dedo
E além da porta
Há o porteiro, sim…
E eu digo não
E eu digo não ao não
Eu digo:
É! — proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…
Me dê um beijo, meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estantes, as estátuas
As vidraças, louças, livros, sim…
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo:
É! — proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…
(falado)
Caí no areal na hora adversa que Deus concede aos seus
para o intervalo em que esteja a alma imersa em sonhos
que são Deus.
Que importa o areal, a morte, a desventura, se com Deus
me guardei
É o que me sonhei, que eterno dura
É esse que regressarei.
Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras
As estátuas, as estantes
As vidraças, louças, livros, sim…
E eu digo sim
E eu digo não ao não
E eu digo: É!
Proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir…

One Comment

  • Cantavam isso vestidos com camisetas com as “faces” de Fidel e Che Guevara; que “çabios”; não!?
    “Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes ‘É proibido proibir’ e carrega cartazes de Lenin Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais” – Nelson Rodrigues.
    Abr
    *JG

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