25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
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A lição dos meninos da Tailândia aos coxinhas e mortadelas

Por Wagner Melo, jornalista

Autocontrole é tudo. Que o digam os 12 garotos e o treinador que ficaram 18 dias presos na caverna Tham Luang Nang Non, na Tailândia. Eles estavam a centenas de metros de profundidade, cercados por águas profundas em um complexo labirinto com cerca de dez quilômetros e, praticamente, nenhuma luz.

Eles dão um tapa na cara de gente histérica que arranca os cabelos só de ficar cinco minutinhos presa no elevador. Ou então (eu me incluo nesse grupo) de quem fica à beira de um ataque de pânico ao ficar “preso” em um veículo, durante três ou quatro horinhas, no trânsito de Maceió.

Eles foram unidos, tiveram orientação espiritual do treinador, ex-monge órfão e apátrida que, talvez, vivesse uma vida mais sufocante fora da caverna. Mas, graças ao poder da meditação e de liderança sobre os meninos, todos sobreviveram e estão prestes a virarem lendas de Hollywood.

Outra lição: tem pessoas que, diante dos problemas, buscam culpados e não soluções. Enquanto os brilhantes comentaristas de notícias brasileiros já estavam planejando enterrar o técnico até a cintura e apedrejá-lo, os pais da garotada estavam gratos pelo fato de, diante de tamanha adversidade, eles terem sido encontrados relativamente bem. Aliás, surpreendentemente bem para quem ficou tanto tempo sem comida.

Mais um aprendizado que fica deste episódio histórico: quando nos unimos somos fortes, sim. Cerca de mil pessoas, entre tailandeses e estrangeiros, se envolveram no resgate (aqui, uma saudação póstuma ao mergulhador tailandês Samarn Kunan, 38, que não se sacrificou em vão).

E o que isso tem a nos ensinar? Imagine se os meninos fossem metade coxinhas e metade mortadelas. Hoje, estaríamos chorando diante de uma tragédia. Não é exagero e nem oportunismo aplicar a lição que eles deixam à atual situação do Brasil: no fundo de uma caverna e no escuro.

No entanto, não temos a mesma esperança, sobriedade e nem lideranças capazes de nos apontar a luz do dia fora do buraco. Oremos.