23 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
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A moral, os bons costumes e um morto

Ahhh, a moral e os bons costumes…

A deputada-pastora-cantora preferiu matar o marido a se divorciar para não escandalizar o “povo de Deus”, apontam as investigações do Ministério Público.

Quem já viu uma relação ungida pelo Senhor ser desfeita? Os conservadores não admitem.

Afinal, segundo os escritos sagrados, o casamento é indissolúvel, exceto em caso de morte de um dos “conjes” ou traição, desde que quem botou o chifre seja apedrejado até a morte. Ou melhor, só a mulher, né?

Aliás, um dos meus traumas de infância foi ter visto um papa apelar para que os fiéis mantivessem seus casamentos de fachada, vivendo “como irmãos”.

Fico imaginando como o céu desse povo deve ser um porre, cheio de gente frustrada e amargurada.

Voltando ao assunto, esqueçam aquela imagem de fachada, do casal com 55 filhos (haja margarina!), vivendo sob a bençãos de Yavé, conduzindo suas ovelhas.

Na verdade, um dos investigadores revelaram que aquilo lá era uma quadrilha intra-familiar.

Uma rede de intrigas que acabou em morte. Infelizmente, as pessoas são manipuláveis, se deixam levar por aparências, por uma farda, uma batina e uma Bíblia sob uma das axilas e muitas Flordelis se elegerão em nome da “família tradicional”.

Não se busca observar no outro uma essência que supere rótulos.

Isso tem nos trazido imensos prejuízos e atrasado o nosso desenvolvimento, pois questões relevantes deixam de ocupar seu devido espaço no debate público.

Emprego? Saúde? Educação? Segurança? Não, os conservadores estão mais preocupados em parecer donos da moral e bons costumes, pregando o controle da genitália alheia.

E vamos afundando cada vez mais. Mas as famílias de fachada, ahhhhh, essas precisam ser mantidas.

 

 

 

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