25 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

A resposta babaca de Mario Frias ao contratar esposa de amigo: “preferia a esposa do Lula?”

Ex-ator de Malhação e atual secretário de Turismo apelou para “mitadas” na Jovem Pan News ao tentar explicar “mamatas” de sua atuação

Mario Frias, ex-ator de Malhação e atual secretário Especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro, deu um cargo para a noiva de Carlos Jordy (PSL-RJ), deputado bolsonarista que é seu aliado, Lais Sant’Anna Soares.

Frias recentemente trocou o comando da Secretaria de Economia Criativa e Diversidade Cultural, ao qual o departamento no qual Lais trabalha está subordinada.

E em entrevista ao programa Morning Show, da Jovem Pan, Frias foi confrontado com o tema da nomeação e para tentar justificar essa contratação, ele respondeu com uma pergunta meio babaca:

“Preferia que eu tivesse nomeado a esposa do Lula? Você preferia que eu tivesse proximidade com a esposa do Lula? É um cargo comissionado, um DAS-3, a menina preenche todos os currículos, é do grupo político, está aqui trabalhando com a gente”. Mario Frias.

Lais é advogada, mas segundo seu perfil no LinkedIN, vinha trabalhando em escritório da família. Não há qualquer menção a atuação na área de inovação para a qual foi contratada. “De repente você tinha, mas eu não te conheço e não vou te contratar aqui, pô”, disse o secretário em mais uma resposta atravessada.

Vale lembrar que ele já exonerou Aldo Valentim, que estava na pasta antes de sua chegada, e levou Rafael Nogueira, olavista que era presidente da Biblioteca Nacional.

Além disso, o cunhado de Frias, Christiano Camatti da Silva, está na folha de pagamento de Embratur, como coordenador de infraestrutura e serviços, um cargo de confiança com salário de quase R$ 18,4 mil por mês.

Mamata

Na semana passada, uma viagem de Mario Frias de cinco dias para ver o lutador Renzo Gracie em Nova York somou gastos equivalentes a 13 vezes o teto da Lei Rouanet para cachês de artistas.

Conforme dados do Portal da Transparência, foram gastos R$ 39 mil para tratar de um “projeto cultural envolvendo produção audiovisual, cultura e esporte” com o lutador de jiu-jítsu bolsonarista.

Segundo o Portal da Transparência (clique aqui para acessar), a viagem considerada “urgente” pelo governo aconteceu para que o secretário discutisse “um projeto cultural envolvendo produção audiovisual, cultura e esporte” com o lutador de jiu-jitsu brasileiro Renzo Gracie.

O jornalista William Bonner questionou na edição de hoje do “Jornal Nacional” por que o secretário especial da Cultura gastou R$ 39 mil em uma viagem aos Estados Unidos para ver um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Uma semana antes, o governo oficializava o limite cachês de artistas pela Lei Rouanet a R$ 3.000.

Essa mudança significou uma diminuição de mais de 93% no cachê que era permitido até então, de R$ 45 mil, e havia sido anunciada antes pelo Twitter do secretário de Fomento, André Porciuncula.

Na ocasião, ele disse que o cachê de R$ 3.000 é “um valor excelente para artistas em início de carreira”, e “não haverá exceções para celebridades”.

Outro lado

Apesar de os valores estarem disponíveis no Portal de Transparência, que pertence ao governo federal, Frias criticou a “falta de ética” dos jornalistas.

Segundo ele, “todas as manchetes expostas nas imagens são mentirosas, pois não paguei essa quantia por essa viagem, não viajei de executiva e a finalidade da viagem não foi da forma como colocaram nas inverídicas manchetes”.