21 de junho de 2021Informação, independência e credibilidade
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A situação do Portugal Ramalho é grave e urgente. E louco é quem me diz que não é!

Muito preocupante a situação do Hospital Escola Portugal Ramalho diante do agravamento de rachaduras que se alastram em suas paredes internas, no embalo das movimentações geológicas que afetam também uma parte do bairro do Farol. É mais uma extensão do enorme problema provocado pela extração do sal-gema, feita pela Braskem ao longo de décadas, agravado pelo descaso público – muito mais antigo – com o monitoramento do solo e os serviços de saneamento e drenagem na capital alagoana.

Construído em 1956 – 20 anos antes do início da extração mineral nas regiões de Bebedouro, Mutange e Bom Parto – o Portugal Ramalho é o único hospital psiquiátrico da rede pública de saúde em Maceió. Abriga, atualmente, 160 pacientes em regime de internato e acomoda outras funções: residência médica, ambulatório, centros de atenção psicossocial (Caps), movimentando 395 funcionários, entre médicos e demais profissionais de saúde, pessoal administrativo e de serviços gerais.

Está claro que sua estrutura sexagenária não aguenta mais tanto balanço. E a definição de um novo endereço não pode esperar. Dá nem para imaginar o caos que seria, em uma situação emergencial que exija o desalojamento imediato, lidar com pânico de 160 pacientes psiquiátricos, tendo que socorrê-los, acalmá-los, removê-los e levá-los… Para onde mesmo?

O risco existe e é iminente. Já vem sendo discutido há tempo, no Gabinete de Gestão Integrada de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamentos dos Bairros (ôh nomezinho grande!). No final de abril, uma reunião online entre a Prefeitura de Maceió e o Ministério Público Estadual debateu a inclusão do Hospital no acordo de realocação de imóveis. Projeções para outubro, embora com a percepção de que a situação poderia se agravar. E se agravou!

Vi ontem uma reportagem da jornalista Regina Carvalho (Gazetaweb), mostrando o alastramento de fissuras num período de 24 horas, em uma das dependências do hospital. É complicado! Pode até se argumentar que tem prédios em situação pior, nos bairros atingidos, e tem. Mas a situação humana ali envolvida é muito delicada. Não se trata de um grupo comum que possa, de uma hora para outra, ser mandado para casa ou abrigado temporariamente num galpão de escola. São 160 pacientes com transtornos psiquiátricos. E ao redor deles, profissionais e outras centenas de familiares que aguardam uma definição de um prazo mais breve – e que seja cumprido.

Em dezembro do ano passado, o Reitor da Uncisal, Henrique Costa, sonhava com a realocação da unidade a partir de janeiro de 2021. Estamos em maio; cinco meses se passaram e isso é uma eternidade numa situação como essa. Até outubro são mais cinco meses… E ainda não se tem uma resposta básica por onde começar: Aonde vão morar? Como ficarão esses pacientes e seus respectivos tratamentos nessa transição? Que traumas que essa situação pode trazer?

Será que estou exagerando? Será que eu sou louca, por pensar assim?