26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Abandonará mandato: Ameaçado de morte, Jean Wyllys se exila fora do país

Seria o terceiro mandato consecutivo como deputado federal pelo PSOL-RJ

Seria o terceiro mandato consecutivo de Jean Wyllys (PSOL-RJ) como deputado federal. Mas ele não assumirá em 2019: eleito com 24.295 votos, ele, que está fora do país, revelou que não pretende voltar ao Brasil.

A morte da colega Marielle Franco no ano passado e as constantes ameaças de morte pesaram e em seu Twitter, o ex-deputado foi criticado por correligionários de Bolsonaro, mas em maioria recebeu mensagens de apoio, diante desta grave situação: é um parlamentar que foge do país para não morrer.

Desde o assassinato da vereadora, em março do ano passado, Wyllys vive sob escolta policial. Também foi levada em conta as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”. Jean Wyllys, ex-deputado federal e exilado fora do Brasil.

E a reação dos Bolsonaros não tardou:

O suplente David Miranda chegou a escrever: “Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília”. Bolsonaro negou que estivesse falando sobre o deputado, que chegou a cuspí-lo no Congresso, mas o recado foi dado.

Nesta manhã, ainda evitando falar de um deputado federal do PSOL reeleito nas eleições de 2018 que sucumbiu às ameaças de morte e fugiu do país para preservar a vida, o governo Bolsonaro usou mais uma de suas cortinas de fumaça: ligar o homem que esfaqueou Jair, enquanto candidato, ao PSOL, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), no dia 6 de setembro do ano passado.

Alvo

Primeiro parlamentar assumidamente gay a encampar a agenda LGBT no Congresso Nacional, Wyllys se tornou um dos principais alvos de grupos conservadores, principalmente nas redes sociais. Ele também se diz “quebrado por dentro” em virtude de fake news disseminadas a seu respeito, mesmo tendo vencido pelo menos cinco processos por injúria, calúnia e difamação.

Deputado federal eleito pelo PSL de São Paulo, Frota foi condenado em primeira instância na Justiça Federal, em dezembro do ano passado, a pagar uma indenização de R$ 295 mil por postar uma foto de Jean Wyllys acompanhada de uma declaração falsa: “A pedofilia é uma prática normal em diversas espécies de animal, anormal é o seu preconceito”.

“Como é que eu vou viver quatro anos da minha vida dentro de um carro blindado e sob escolta? Quatro anos da minha vida não podendo frequentar os lugares que eu frequento?”. Jean Wyllys.