11 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Alagoas tem duas mortes, 40 mil desabrigados e mais de 50 municípios em emergência

Fortes chuvas provocam transbordamento de rios e cenários são de destruição

Transbordamento do Rio Mundaú traz cenário devastador em Rio Largo – Júnior D’Lima/Ascom RL

Desde sexta-feira (1º), ao menos duas pessoas morreram em Alagoas em decorrência das cheias dos rios, segundo informa boletim da Defesa Civil divulgado hoje. Um óbito foi confirmado na cidade de Coruripe e o outro em São Miguel dos Campos.

Ainda de acordo com a Defesa Civil, 33.091 pessoas estão desalojadas e 6.192, desabrigadas. O número, no entanto, pode ser ainda maior porque “alguns municípios não tiveram seus dados coletados”.

Até o momento, mais de 50 municípios estão em situação de emergência e o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), afirma que novas cidades ainda podem ser incluídas no decreto.

Em levantamento feito com dados da Defesa Civil e da AMA (Associação dos Municípios Alagoanos), mostra que 29 cidades foram as mais afetadas.

Um gabinete de crise foi instalado, sob coordenação do governador, e será composto pelo Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, secretarias do Gabinete Civil, Assistência e Desenvolvimento Social, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Comunicação e dos Transportes. Foram convidados ainda a Procuradoria-Geral do Estado, Casal e a concessionária de energia Equatorial.

A Defesa Civil de Alagoas está recebendo donativos, roupas, agasalhos e alimentos para os desabrigados e desalojados. As doações podem ser entregues no quartel do Corpo de Bombeiros, no Trapiche da Barra.

A previsão é de redução do volume de chuvas, mas elas continuarão a cair no estado nas próximas horas.

Durante a reunião, além de autorizar a entrega imediata das cestas básicas à população atingida, o governador Paulo Dantas também informou que serão adquiridos colchões, água potável e materiais de limpeza e higiene pessoal.

Chuvas

O coordenador da Sala de Alerta da Senarh (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Vinícius Pinho, declarou que a previsão é de que nível de chuvas caia significativamente em Alagoas. Porém, a preocupação é que as chuvas em Pernambuco continuem a impactar os rios alagoanos.

“Nos últimos 60 dias, tivemos um volume de chuvas de 1.000 mm, o que corresponde ao esperado para o ano inteiro. Só nesses últimos dois dias choveu 75% do que estava previsto para todo o mês de julho”.

Os rios Paraíba e Mundaú transbordaram e subiram dois metros de altura. As BRs 104 e 101, que seguem em direção a Sergipe e Pernambuco, foram interditadas.

Por causa da lama e sujeira da chuva levada para os mananciais, as estações de captação, elevatórias e de tratamento de água tiveram seu funcionamento comprometido, diz o governo.

Dessa forma, a Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas) suspendeu ou restringiu o abastecimento em Arapiraca, Palmeira dos Índios, Capela, Quebrangulo, Colônia Leopoldina, Passo de Camaragibe, Novo Lino e Ibateguara.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês de julho terá chuvas acima da média no leste do Nordeste e no norte da região Nordeste. Os volumes previstos devem ficar acima dos 140 mm.

Uma equipe da Defesa Civil Nacional foi deslocada neste sábado (2) para prestar apoio aos municípios atingidos pelas chuvas.

O Ministro do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, chegará a Alagoas nesta segunda-feira (04), após solicitação do senador Collor (PTB) e do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (Progressistas).

O representante do governo federal realizará um sobrevoo em municípios afetados pelas fortes chuvas que estão atingindo o estado nos últimos dias e provocando diversos danos à população.