26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Aneel diz que reajuste da energia deve ficar entre 50 ou 58% com bandeira vermelha

Decisão foi tomada em reunião com Bolsonaro e membros da Câmara de Regras Excepcionais de Gestão Hidroenergética

 

Aneel confirma o aumento da conta de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou comunicado na noite desta sexta-feira, 27, confirmando que o preço da energia continuará sendo cobrado com bandeira tarifária vermelha patamar 2 – a mais alta – em setembro.

Além disso, a energia deve sofrer um reajuste entre 50% e 58%, com o valor passsando dos atuais R$ 9,49 para R$ 14,20 para cada 100 quilowatts-hora (kWh).
A decisão sobre o novo valor foi tomada durante reunião entre Jair Bolsonaro (Sem partido) e ministros da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg), criada em junho para gerir a crise hídrica.

O valor da bandeira vermelha patamar 2 já tinha sido reajustado em 52% para o mês de julho, passando de R$ 6,24 por 100 kWh para os atuais R$ 9,49.

A bandeira vermelha patamar 2 é o maior nível de cobrança adicional da energia elétrica. A bandeira vermelha patamar 1 acrescenta R$ 3,971 e a bandeira amarela R$ 1,874 a cada 100 kWh consumidos.

Crise hidrológica
A Aneel, que regula as empresas privadas que têm a concessão sobre a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, justifica a alta alegando que a crise hidrológica sobre os reservatórios das usinas é “histórica”.

“O registro sobre as afluências às principais bacias hidrográficas continuou entre os mais críticos do histórico. A perspectiva para setembro não deve se alterar significativamente, com os principais reservatórios do SIN atingindo níveis consideravelmente baixos para essa época do ano. Essa conjuntura sinaliza horizonte com reduzida capacidade de produção hidrelétrica e necessidade de acionamento máximo dos recursos termelétricos, pressionando os custos relacionados ao risco hidrológico (GSF) e o preço da energia no mercado de curto de prazo”, diz em nota.

Caso não chova, a previsão é a de que os reservatórios das usinas hidrelétricas cheguem a novembro com apenas 10% da capacidade, volume menor do que o registrado na crise de 2001, quando o país passou por racionamento de energia.