26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Antonio Albuquerque lamenta prisão de Roberto Jefferson e critica o STF

Deputado defendeu a liberdade de expressão do presidente de seu partido

Em pronunciamento durante a sessão ordinária desta terça-feira, 17, o deputado Antonio Albuquerque (PTB) lamentou a prisão do presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, na semana passada, no Rio de Janeiro.

Jefferson teve a prisão preventiva decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal, dentro do chamado “Inquérito da Milícia Digital”, que apura atos antidemocráticos.

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Ao se reportar sobre o ocorrido, Albuquerque disse estar se sentindo muito incomodado com a prisão do presidente de seu partido, apesar de discordar da forma com a qual Roberto Jefferson externa suas opiniões em determinadas oportunidades, o que tem lhes causado certas dificuldades na convivência partidária.

“A prisão do presidente do meu partido é motivada pela forma de expressar suas opiniões e, quero deixar claro, também não concordo com a forma, mas não posso calar diante do desrespeito a uma das garantias inalienáveis do cidadão, que é a liberdade de expressão”. Antonio Albuquerque.

Dizendo-se bastante preocupado com os últimos acontecimentos no Brasil, o deputado lembrou, sem citar nomes, de outras prisões.

“Agora um presidente de partido; e isso muito me preocupa, porque nós não podemos aceitar que passemos a conviver com decisões teratológicas que não obedecem ordenamento jurídico no nosso País”, disse, ressaltando que é contrário aos exageros.

“Se nós passarmos a conviver com a ditadura, e a pior de todas elas que é a da toga, a população estará caminhando na direção da página mais triste da nossa história. O Supremo Tribunal Federal é o guardião de nossa Constituição. Não pode ser de lá a edição de uma medida que venha de forma muito grave descumprir aquilo que é determinado pela Constituição Federal”. Antonio Albuquerque.

Em aparte, o deputado Davi Maia (DEM) se associou ao pronunciamento do colega de plenário. “Eu não quero aqui defender o ex-deputado Roberto Jefferson ou qualquer outro que tenha sido preso. Quero defender a liberdade de expressão e de opinião que estão sendo tolhidas no Brasil. Agora virou crime no Brasil você criticar a Justiça”, afirmou o parlamentar.

O deputado Francisco Tenório (PMN) também se posicionou sobre o tema e manifestou sua preocupação com o que pode ocorrer nas próximas eleições, diante do quadro de posicionamentos extremistas tanto de direita quanto de esquerda.

“Temos forças antagônicas com suas torcidas radicais. É um processo que teremos de enfrentar, onde a direita agressiva critica a esquerda, que também agressiva critica a direita. Precisamos ter cuidado para que o radicalismo nas eleições não descambe para a violência”. Francisco Tenório.

“Leão conservador”

Corrupto confesso, Roberto Jefferson teve sua conta original no Twitter restringida após defender a criação de milícias em Juiz de Fora (MG) para “dar um pau” na guarda municipal.

O condenado, que se descreve como um “Leão Conservador” com o rugido da liberdade que adora Harley Davidson, promovia violência contra os agentes que atuam na fiscalização de medidas sanitárias na pandemia.

Sua descrição anterior era a de um “alferes de Deus e atalaia da família cristã. Aliado do presidente Jair Bolsonaro (que vem andando com ótimas companhias), ele já apareceu portanto um fuzil e sugerindo que o presidente fechasse o STF na base da bala e revogasse a concessão da Globo.

A nova conta, inclusive, foi removida em 4 de abril após Roberto Jefferson fazer em vídeo um chamamento para a prática do “kit anti-satanás” No vídeo, ele aparecia em publicação dois dias antes convidando a população a se armar para combater o “Satanás que quer fechar igreja”

“Tem um Satanás armado? Esse imediatamente um irmão patriota bota fora de combate”. Roberto Jefferson, armado para “defender” a igreja.

Fazia parte de seu “kit” um cabo de enxada, um taco de beisebol e um chicote. Segundo o Twitter, a publicação violou as regras de conduta. A rede social diz vetar que usuários promovam “ameaça de violência” e a “glorificação da violência”.

No dia seguinte, veio a permissão para realização de missas e cultos presenciais, tomada de forma liminar pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.