17 de julho de 2024Informação, independência e credibilidade
Política

Arthur Lira critica delação de Mauro Cid e “excessos aflorando” na PF

Em entrevista, presidente da Câmara reforça que o PP é “parte da base de sustentação do governo”

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, inicia a semana reforçando que seu partido está na parte aliada do governo Lula (cobrando inclusive seu comando na Caixa Econômica Federal), ao mesmo tempo em que critica “excessos aflorados” em investigações da Polícia Federal e mostrando descontentamento com a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL).

Vale lembrar que o governo Lula teve que ceder dois ministérios e estatais ao PP e Republicanos para garantir que Lira consiga a aprovação de matérias. Não só isso, como o presidente da Câmara até pouco tempo era presa fácil de investigação da PF por causa dos desvios financeiros no caso do Kit Robótica.

Confira as principais passagens da entrevista de Lira no Uol, em que ele destacou como ele também terá controle das 12 vice-presidências da Caixa e até mesmo da Funasa (Fundação Nacional de Saúde)

Lula nomeou André Fufuca, que era líder do PP, como ministro do Esporte. Isso significa a entrada do seu partido de vez no governo?
Há uma aproximação de partidos de centro que não faziam parte da base do governo para essa adesão. Isso não [significa que todos os 49 votos do PP serão pró-governo] porque nenhum partido dá todos os votos. Mas eu acredito em uma base tranquila. A gente cristaliza a oposição hoje em torno de 120, 130 votos cristalizados. Então, 350, 340 votos, o governo deve estar numa base resolvida, eu penso. O acordo foi mais amplo, envolve outros partidos, tem parte do PL que quer fazer parte e já vota com o governo.

Um ex-assessor do sr. [Luciano Cavalcante] foi investigado pela PF por conta de supostas fraudes na transferência de emendas para a compra de kit robótica.
Isso é uma alegação. Mais um abuso, um excesso. Não tem nada que foi provado com relação a isso, inclusive toda essa operação foi anulada [pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal] e vocês sabem o porquê. Eu não estou aqui julgando ninguém, estou dizendo por mim, que fui massacrado durante dois meses: aliados de Lira, parentes de Lira, assessor de Lira. Então, tudo a seu cabo, essa operação que aconteceu, que trata de um assunto depois que foi totalmente desvirtuado, ela foi anulada pelo STF, por vício de iniciativa, perseguição de alvos, direcionamento de investigação.

As críticas à atuação política da PF existem há vários governos. Há uma atuação mais política neste governo?
O atual governo, eu tenho dito, tem que ter esse cuidado com alguns excessos que estão aflorando. Eles tinham sido resolvidos e estão aflorando de novo com muita particularidade. Tem o [general Walter] Braga Netto, tem outros aí. Polícia Federal não trabalha nem como promotor de Justiça, nem como juiz. Ela tem que ir até a investigação. Acabou a investigação, acabou o papel. Ela não pode ir além disso. Tem policiais indo além disso.

Bolsonaro e aliados têm sido alvo de investigações. O tenente-coronel Mauro Cid [ex-assessor de Bolsonaro] acabou de fechar uma delação premiada que, especula-se, deve mirar no ex-presidente.
Eu sempre condenei, ontem e hoje, delação de réu preso. Todo mundo era contra a delação de réu preso lá atrás. Nós estamos tratando de delação de réu preso hoje de novo, feita pela Polícia Federal. Emitir juízo de valor sobre a questão de mérito, não vou fazer, não conheço o conteúdo da delação. Agora ponto pacífico é que delação de réu preso é impossível.

Como está a sua relação com o ex-presidente Bolsonaro?
Falei com ele na reforma tributária, pedindo o apoio do PL. Ele não está morto politicamente Nem de longe. Não sou eu que vou averiguar e verificar uma pergunta dessa. Ele foi julgado inelegível, politicamente é muito amplo, ele pode funcionar como cabo eleitoral, ele pode apoiar outro candidato, ele pode reverter uma decisão dessa no Supremo. A gente já viu tantas dificuldades. O presidente Lula é um exemplo vivo disso.