27 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Maceió

Audiência pública de Assembleia e Câmara debate consequências do crime ambiental da Braskem

Crime ambiental gerou afundamento de 5 bairros de Maceió e mais de 60 mil pessoas são vitimas neste caso

Assembleia e Câmara unidas em audiência sobre crime ambiental da Braskem

Uma audiência pública para analisar a situação dos moradores que perderam imóveis e empresas nos bairros afetados pela ação da mineradora Branskem uniu a Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores.

A sessão foi realizada nesta sexta-feira, 5, com as participações de parlamentares das duas casas legislativas, que debateram a “Ausência de Transparência nos Processos de Indenização dos Bairros Atingidos pelo Desastre Geológico em Maceió”.

A audiência foi proposta pelo vice-presidente da ALE, deputado Galba Novaes (MDB). A sessão no pleno da Assembleia contou ainda com representantes do Ministério Público Estadual. Compareceram o procurador-Geral de Justiça, Márcio Roberto e os promotores Max Martins, Jorge Dórea e José Antonio Malta Marques.

“Nosso objetivo é dar voz as pessoas que sofrem com esse grave problema e ao lado do Ministério Público buscarmos soluções para o sofrimento das famílias. O mais importante também é que esses moradores saibam que essa casa está preocupada com a situação e, por isso, propusemos essa audiência e vamos continuar discutindo saídas”, destacou o deputado Galba.

Como o tema vem sendo discutido na CMM que desde a legislatura passada criou uma CEI e, atualmente, conta com uma Comissão Especial de Afundamento dos Bairros, o parlamento municipal também foi convidado para contribuir com o debate.

Ausência da Braskem

O presidente Galba Netto (MDB) lembrou que na CMM o tema tem sido encarado com a seriedade que merece e que a casa desde o início buscou interlocução com a empresa e as autoridades. Para ele a ausência da Braskem, no legislativo, cria impasses e adia a busca de soluções.

“É extremamente lamentável. Estava pensando em fazer uma linha de discurso totalmente diferente se a Braskem estivesse aqui com o mínimo de responsabilidade para demonstrar a população alagoana que está empenhada em minimizar esse transtorno incalculável que causou a vida de tantas pessoas. Mas, não está presente para que pudéssemos cobrar uma prestação de contas. No início do ano, estiveram conosco numa ampla reunião, que contou com parlamentares e empresários. Até confesso a época me pareceu que as coisas seriam resolvidas de forma célere. Mas, muito pouco ou quase nada se avançou”, observou Netto (MDB)

União –Essa foi primeira vez desde que os moradores do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, tiveram suas vidas totalmente afetadas pela empresa, parlamentares das duas casas se reuniram com as vítimas para tentar acabar com o impasse que envolve o atraso e o valor do que vem sendo oferecido como indenização.

Força-tarefa – O secretário de governo e vereador licenciado, Francisco Sales, defendeu a constituição de uma “Força Tarefa” com a representação política e também do Ministério Público e moradores para ampliar o poder de pressão junto a empresa.

“Eles têm que respeitar as avaliações independentes que têm sido feitas e as pessoas de idade que estão vendo seu patrimônio serem dilapidados sem que as pessoas vejam o que é justo ser pago. Essas pessoas precisam recomeçar suas vidas”, defendeu Sales.

Tempo – Um dos moradores o empresário Marcos Braga lembrou que a maior angústia de quem viu seus imóveis serem desocupados é a falta de perspectiva de soluções. Ele lembra que muitas pessoas que desde o início buscaram acordos foram desprezadas e não receberam o que foi negociado.

“A Braskem não está cumprindo prazo nenhum. Há um ano estou fora da minha casa e somente ontem recebi uma proposta mas muito abaixo do valor do nosso imóvel e recusamos. O que será feito nos bairros afetados?”, indagou Braga.

Segundo a moradora Meirivane Nunes a Braskem tem enganado as vítimas e toda a sociedade com a informação de que tem feito avaliação dos imóveis. De posse de documentos ela denunciou que o que entregam aos moradores é uma proposta de pagamento.

“Isso aqui nunca foi uma avaliação do imóvel que sirva de laudo, ao contrário disso, consta apenas um valor. Eles não vão ao imóvel da forma que dizem. Eles mentem fazer levantamento no local. Passam o que é conveniente. E nós moradores não podemos aceitar isso como sendo um laudo”, denunciou Meirivane.

Caminhos – O MPE confirmou que tem agido para minimizar sofrimentos e construir soluções. O procurador-Geral de Justiça Márcio Roberto foi enfático em dizer que o órgão trabalha em defesa da sociedade e não se refutará em nenhum momento. “Temos lado e o nosso lado é o da sociedade”.