26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Auditor do TCU nega conhecer Bolsonaro e culpa o pai por compartilhar estudo falso

Senadores da oposição sustentam a ideia de que o arquivo produzido em Word teria sido “manipulado” pelo Palácio do Planalto

O auditor do TCU (Tribunal de Contas da União) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, apontado como autor de um estudo falso sobre mortes na pandemia, negou hoje, em depoimento à CPI da Covid, ter produzido o material para favorecer deliberadamente o presidente Jair Bolsonaro.

O servidor negou ter “relação” com o governante e culpou o pai, o coronel da reserva Ricardo Silva Marques, por compartilhar indevidamente os dados com o chefe do Executivo federal.

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Marques explicou que o pai foi contemporâneo de Bolsonaro na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), no Rio de Janeiro, e trabalhou com o capitão reformado, hoje presidente da República, nas fileiras do Exército. Esse seria o contexto de proximidade entre os dois.

Na versão do depoente, o pai recebeu o arquivo —um esboço de relatório— em 6 de junho e, no mesmo dia, teria encaminhado ao governante por meio do WhatsApp. Na manhã do seguinte, em 7 de junho, Bolsonaro citou o estudo falso para afirmar a apoiadores que metade das mortes de covid em 2020 teria ocorrido, na verdade, em função de outras doenças.

O relatório, no entanto, era “preliminar” e utilizava dados que, de acordo com o próprio TCU e com o autor do material, não permitem chegar a tal conclusão. O Tribunal confirmou posteriormente que não se tratava de um documento oficial e negou a veracidade do conteúdo.

“Eu produzi um arquivo em Word com algumas informações públicas, mas não era conclusivo esse arquivo. Como eu falei, ele foi feito para gerar uma discussão dentro da equipe de auditoria. Não havia uma conclusão nesse sentido”. Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques.

O auditor também informou aos senadores que a versão original do arquivo, enviada ao pai em 6 de junho, não possuía a identificação do TCU no cabeçalho, tampouco trechos grifados em amarelo —tal como consta em PDF que viralizou entre apoiadores do presidente Bolsonaro nas redes sociais.

Senadores da oposição sustentam a ideia de que o arquivo produzido em Word —e compartilhado originalmente sem edição— teria sido “manipulado” pelo Palácio do Planalto, de modo a supostamente corroborar argumentos defendidos pelo presidente em Bolsonaro em suas lives.