18 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaristas não aceitam oposição e querem vice-presidente da Câmara fora do cargo

Para afastar Marcelo Ramos da vice-presidência, bolsonaristas cobram atitude de Arthur Lira contra o vice

Bolsonaristas pedem a cabeça de Marcelo Ramos na vice da Câmara

Os bolsonaristas não aceitam nenhuma forma de oposição ao governo Jair Bolsonaro. Tanto que agora estão tentando retirar do cargo o vice-presidente da Câmara Federal, deputado Marcelo Ramos (PSD-AM).

Para isso estão pressionando o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP) para retirar o vice e colocar no lugar um parlamentar do PL, o novo partido de Bolsonaro.

Ramos era do PL quando foi eleito para o cargo, mas migrou para o PSD após a filiação de Bolsonaro. Para barrar a manobra, ele recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No dia 29, o ministro Alexandre de Moraes concedeu uma liminar ao deputado e oficiou o presidente da Câmara a se abster de acatar qualquer deliberação do PL que implique no afastamento ou substituição do deputado do Amazonas da Mesa Diretora. O partido ainda pode recorrer.

A substituição de Ramos seria um ato inusual. Representaria, ainda, uma reviravolta nas regras adotadas atualmente pela Casa Legislativa.

A pressão do PL tem como base dispositivo do regimento da Câmara que prevê que o integrante da Mesa que trocar de partido perderá automaticamente o cargo. Ocorre que uma decisão da própria Câmara, em 2016, flexibilizou a regra e permitiu a troca para partidos do mesmo bloco, o que livraria Ramos.

Deputado federal de primeiro mandato, Marcelo Ramos, à época no PL, foi eleito vice-presidente da Câmara em fevereiro de 2021 com o voto de 396 colegas, na mesma chapa em que Arthur Lira se tornou presidente da Casa.

Ao longo de 2021, com o agravamento da crise sanitária de Covid-19 e a fraca atuação de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia, Ramos se consolidou como voz crítica ao governo. Quando o presidente sinalizou que pretendia migrar para o PL, o vice-presidente da Câmara disse ter virado alvo de críticas e perseguições.

A ida de Bolsonaro para o partido de Valdemar Costa Neto em novembro de 2021 fez com que Ramos migrasse para o PSD de Gilberto Kassab -a mudança foi oficializada em fevereiro deste ano.