29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro comenta a marca de 200 mil mortes por covid no Brasil: ‘A vida continua’

Fantasia, histeria, gripezinha, coveiro, país de maricas: relembre outras reações do presidente

O Brasil atingiu a marca de 200 mil mortos por covid-19 no Brasil nesta quinta-feira (7), mesmo dia da semana das lives do presidente Jair Bolsonaro, que se declarou sobre o assunto durante transmissão na na conta oficial do presidente:

“A gente lamenta hoje que estamos batendo aí 200.000 mortes, muitas dessas mortes com covid, outras de covid. Não temos uma linha de corte no tocante a isso aí, mas a vida continua”. Jair Bolsonaro, presidente.

A declaração foi dada ao lado do ministro Eduardo Pazuello (Saúde). Durante toda esta pandemia, Bolsonaro apresentou ações erráticas, questionáveis e que beiram a atitudes criminosas.

Fazendo pouco caso da certeza (não mais ameaça) do novo coronavírus, o presidente já chamou as sequelas de gripezinha, de forma equivocada falou que pessoas com histórico de atletas não seriam afetadas, foi completamente contrária às medidas adotadas pela OMS (como distanciamento social ou mesmo uso de máscara) e mesmo com a escalada de mortos, ativamente sabota a vacinação no país.

E daí?

“A vida continua” é mais uma das reações questionáveis de Bolsonaro nesta pandemia. Relemebre outras:

9 de março – “Superdimensionado”

“Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está sendo superdimensionado o poder destruidor desse vírus”, afirmou Bolsonaro ao falar pela primeira vez sobre o coronavírus em uma viagem oficial aos Estados Unidos. No dia 16 daquele mês, o presidente usou o mesmo termo: “Foi surpreendente o que aconteceu na rua até com esse superdimensionamento. Que vai ter problema vai ter, quem é idoso, (quem) está com problema, (quem tem) alguma deficiência, mas não é tudo isso que dizem. Até que na China já praticamente está acabando”.

10 de março – “Fantasia”

“Obviamente, temos no momento uma crise, uma pequena crise, né, no meu entender muito mais fantasia a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga pelo mundo todo”.

17 de março – “Histeria”

“O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo. Esse vírus trouxe uma certa histeria e alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia.”

20 de março – “Gripezinha”

“Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não, tá ok? No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”.

22 de março – “Alarmismo”

“Há um alarmismo muito grande por grande parte da mídia. Alguns dizem que estou na contramão. Eu estou naquilo que acho que tem que ser feito. Posso estar errado, mas acho que deve ser tratado dessa maneira. Acho que não vai chegar a esse ponto, até porque o brasileiro tem que ser estudado, ele não pega nada. Vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha e não acontece nada com ele”.

27 de março – “Paciência, acontece”

“Vamos enfrentar o vírus. Vai chegar, vai passar. Infelizmente algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco. As consequências, depois dessas medidas equivocadas, vão ser muito mais danosas do que o próprio vírus. Alguns vão morrer? Vão morrer, lamento, essa é a vida. Não podemos parar fábricas de automóveis porque têm 60 mil mortes no trânsito por ano”.

29 de março – “Enfrentar como homem”

“O vírus tá aí, vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque, vamos enfrentar o vírus com a realidade, é a vida, todos nós iremos morrer um dia”.

20 de abril – “Não sou coveiro”

“Eu não sou coveiro, tá? E daí, lamento. Quer que faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.

19 de maio – “Cloroquina” e “Tubaína”

“Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”.

2 de junho – “É o destino de todo mundo”

“A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo.

10 de novembro – “País de maricas”

“Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos. Todos nós vamos morrer um dia, não adianta fugir disso. Tem que deixar de ser um País de maricas”.