15 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Justiça

Bolsonaro é acionado por discurso de ódio e TSE quer população desarmada no dia da votação

Filho mais velho do petista morto por bolsonarista em aniversário afirma que o vídeo da conversa de seus tios com o presidente está sendo usado sem autorização para uma possível campanha

Parlamentares e dirigentes partidários da oposição apresentaram ao ministro Alexandre de Moraes, futuro presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), uma representação contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) por discursos de ódio durante a campanha eleitoral.

A ação pede à Corte que obrigue Bolsonaro a parar com declarações de incitação à violência sob pena de multa de R$ 1 milhão.

A representação também pede que o presidente seja obrigado a condenar o assassinato de Marcelo Arruda, morto por um simpatizante do presidente no fim de semana.

O filho mais velho do militante petista Marcelo de Arruda, que foi assassinado em sua festa de 50 anos por um bolsonarista, afirma que o vídeo da conversa de seus tios com o presidente Jair Bolsonaro (PL) está sendo usado sem autorização para uma possível campanha.

Leonardo de Arruda, 26, criticou o uso político do material. “Gravaram, publicaram sem autorização da minha família, estão usando a imagem da nossa família para uma possível campanha. Não basta o que fizeram com meu pai e estão usando o nome da minha família”, disse.

“Nós acreditamos que este são os meios existentes para fazer, pelo menos, a violência ser intimidada durante o processo eleitoral. E a instituição que tem essa atribuição é o TSE. Foram esses pedidos, sob pena de que não procedendo assim, tanto o presidente da República, quanto o seu partido, recebam a multa de R$ 1 milhão por dia”. Randolfe Rodrigues, senador (Rede-AP).

Os partidos dizem que as falas de Bolsonaro reforçam a prática de violência no imaginário comum de seus apoiadores. “E prova disso é que, infelizmente, o recente caso não foi o único que aconteceu pelas discordâncias políticas. Há outros tantos casos de práticas de violência e mais mortes na conta desses discursos”, alegam.

Armas

Parlamentares também apresentaram uma consulta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) hoje (13) pedindo a suspensão do porte de armas nos dias das eleições deste ano.

Aos deputados, Moraes prometeu que a Justiça Eleitoral seria célere na análise, mas não deu um prazo para responder a consulta. Assinada por parlamentares de PSB, PT, Rede, PSB, PCdoB, PV, PSOL e PDT, a peça pede que nos dias 2 e 30 de outubro seja proibida a circulação de pessoas portando armas, inclusive na entrada dos locais de votação e sessões eleitorais.

A bancada pede ainda que seja somente permitido o porte de armas aos membros das forças de segurança que estejam no efetivo exercício da atividade policial.