28 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro fala em sogro cearense de “cabeça chata” e diz que não errou na pandemia

Na semana passada presidente já tinha se dirigido a assessores nordestinos em uma live como “pau de arara”.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) usou palavrões nesta quarta-feira (9) para atacar seus antecessores no cargo, durante uma visita ao interior do Rio Grande do Norte.

Em discurso para uma plateia formada por apoiadores e aliados políticos, Bolsonaro não poupou críticas a ex-presidentes. Ele não mencionou nomes, mas fez referências às gestões de Fernando Henrique Cardoso até Michel Temer, passando por Lula e Dilma:

“Durante a transição após as eleições [de 2018] em Brasília, estávamos conversando sobre o que estava acontecendo com o governo anterior e como estava o governo. Descobrimos que a Funai tinha um contato de R$ 50 milhões para ensinar o índio a mexer com Bitcoin. Ah, vá para a puta que pariu, porra. Desculpe o palavrão aqui”. Jair Bolsonaro.

Cabeça chata

O presidente voltou a usar um termo depreciativo para se referir à população do Nordeste, em especial os cearenses. Na tentativa de criar laços de proximidade com os eleitores da região —onde ele possui alto índice de rejeição—, o governante voltou a dizer que a filha caçula, Laura, “tem em suas veias também sangue de nordestina”.

Segundo ele, a primeira-dama, Michelle, é filha “de um cabra da peste, de um cabeça chata, de um cearense”. A declaração ocorreu durante visita à barragem de Oiticica, na cidade de Jucurutu (RN), empreendimento que vai receber as águas do eixo Norte do projeto de transposição do rio São Francisco.

A expressão “cabeça chata” é tradicionalmente utilizada para zombar da população cearense, sem base na realidade. Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro se referiu dessa forma à população daquele estado. Em live realizada em janeiro de 2020, o chefe do Executivo federal afirmou que, no Ceará, “todo mundo é cabeçudo”.

Na semana passada, já houve novo episódio que gerou ampla repercussão negativa: o político se dirigiu a assessores nordestinos que o acompanhavam em uma live como “pau de arara”.

“Não errou”

O chefe do Executivo também defendeu a condução do governo federal na pandemia e disse que não cometeu erros em meio à crise sanitária. Vale lembrar, ele fala em “mimimi” das vítimas e até hoje ataca campanhas de vacinação, defendendo medicamentos que não funcionam contra a Covid-19:

“A política do fica em casa, lockdown e toque de recolher, foi desumana. Levou a mortes, desemprego, muita gente foi para depressão e para o desespero. Não errei nenhuma [vez] durante a pandemia, fui atacado covardemente o tempo todo, mas a decisão de conduzir a questão da pandemia, segundo decisão do STF, foi para governadores e prefeitos”. Jair Bolsonaro.

Apesar de ter definido que estados e municípios tinham autonomia para implantar medidas para combater o coronavírus, claro, o Supremo Tribunal Federal não retirou poderes do governo federal para o enfrentamento à crise sanitária.