29 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro fará reforma ministerial e Casa Civil pode cair no colo do centrão

Os R$ 5,7 bilhões que seus filhos e líderes apoiaram para o fundo eleitoral, assim como o absurdo orçamento paralelo, não são suficientes para o bolso sem fundo do centrão

Barros, Bolsonaro, Ciro Nogueira e Arthur Lira: o Centrão no comando

O presidente Jair Bolsonaro não consegue nem mais esconder: seu governo está em crise e o momento de fragilidade é o maior desde que fora eleito. E hoje, nesta quarta (21) já admite uma reforma ministerial na próxima semana.

Para agradar o centrão e afastar mais ainda qualquer possibilidade de entraves políticos, como um processo de impeachment, o bloco de “partidos independente” pode ganhar a Casa Civil . O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, é forte candidato a novo ministro.

“Estamos trabalhando, inclusive, uma pequena mudança ministerial, que deve ocorrer na segunda-feira, para ser mais preciso, para a gente continuar aqui administrando o Brasil”. Jair Bolsonaro, em entrevista à rádio Jovem Pan.

A troca ministerial aconteceria para antecipar nomes que vão disputar as eleições do ano que vem e que, por isso, teriam que deixar seus postos até o início de abril de 2022. Mas a Casa Civil não seria o caso. Na verdade, há muita insatisfação com o general da reserva Luiz Eduardo Ramos.

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Bolsonaro tenta se esquivar do fundão de R$ 5,7 bilhões aprovado pelos filhos e aliados

Ramos é alvo de queixas de parlamentares. Entre eles, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), correligionário, muito próximo a Ciro e primeiro-ministro informal do Brasil.

E com a CPI da Covid avançando cada vez mais nos negócios podres do seu governo, Bolsonaro sabe que precisa melhorar sua articulação politica, especialmente no Senado.

Ele também precisa agradar senadores para garantir o atual advogado-geral da União, André Mendonça, como novo membro do STF (Supremo Tribunal Federal), além de apoio para a recondução de Augusto Aras ao comando da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Aparentemente, os R$ 5,7 bilhões que até seus filhos apoiaram para o fundo eleitoral de 2022, mais o bilionário e absurdo orçamento paralelo, tudo aprovado segundo a LDO, não são os maiores problemas de Bolsonaro. A questão é que o bolso do centrão não tem fundo. E quem banca isso tudo somos nós.

 

Ministério do Emprego

O presidente anunciou ainda que vai esvaziar a pasta do ministro Paulo Guedes. Assessores próximos, segundo Carla Araújo, do UOL, falam na ideia de um novo ministério do Trabalho, que deverá ser chamado ministério do Emprego e da Previdência Social.

O nome mais cotado para o posto é o atual ministro da Secretaria Geral, Onyx Lorenzoni, que balança, mas não cai. Para o seu lugar no ministério palaciano seria deslocado o ministro Luiz Eduardo Ramos, que hoje ocupa a Casa Civil e deve perdê-la para Ciro Nogueira.