13 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro faz Brasil passar vergonha com powerpoint e discurso golpista para embaixadores

Jair repetiu teorias da conspiração sobre urnas eletrônicas, desacreditou o sistema eleitoral, promoveu novas ameaças golpistas e atacou ministros do STF

O presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu na tarde desta segunda (16) um grupo de embaixadores no Palácio da Alvorada, em Brasília, para levantar novamente suspeitas infundadas sobre a segurança do processo eleitoral de 2022.

O encontro, que foi anunciado por Bolsonaro há mais de um mês, foi transmitido pela TV Brasil, uma emissora pública, a menos de 80 dias das eleições.

Em seu pronunciamento, que durou pouco mais de 30 minutos, Bolsonaro falou especialmente sobre um inquérito aberto pela PF (Polícia Federal), em 2018, que apurou uma invasão cibernética aos sistemas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ele repetiu teorias da conspiração sobre urnas eletrônicas, desacreditou o sistema eleitoral, promoveu novas ameaças golpistas e atacou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

No discurso, Bolsonaro atacou especialmente o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, e os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal). Barroso presidiu o TSE até fevereiro desse ano, quando deu lugar a Fachin, e Moraes estará à frente do tribunal durante as eleições, em outubro.

Encerrou esperando ser aplaudido. Passou vergonha.

Aos embaixadores, Bolsonaro fez insinuações de que nenhum dos ministros seria imparcial o suficiente para conduzir o processo eleitoral. “O que nós queremos? Paz e tranquilidade. Agora: por que um grupo de apenas três pessoas apenas [Fachin, Barroso e Moraes], três pessoas, quer trazer estabilidade para o nosso país?”, questionou.

Desde que o presidente vazou esse documento em suas redes sociais, no ano passado, o TSE sustenta que o ataque hacker não levou risco à integridade das eleições naquele ano.

Atrás cerca de 10 pontos percentuais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais mais recentes, Bolsonaro foi criticado por vários políticos, inclusive outros presidenciáveis, pela exposição no Alvorada. Lula, por exemplo, declarou no Twitter que “é uma pena que o Brasil não tenha um presidente que chame 50 embaixadores para falar sobre algo que interesse ao país”.

No Brasil, nunca houve registro de fraude nas urnas eletrônicas, em uso desde 1996.

Na última eleição com votos em cédulas, por coincidência ou não, houve indício de fraudes em votos para Bolsonaro

STF

Fachin e Barroso reagiram às declarações. O presidente do TSE, que esteve no lançamento de uma campanha da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), afirmou que “há inaceitável negacionismo eleitoral por parte de uma personalidade pública importante dentro de um país democrático”, sem citar Bolsonaro nominalmente.

Segundo o ministro do TSE, as desinformações que estão sendo veiculadas só interessam a quem não interessa provas e fatos. “Creio que precisamos nos unir e não aceitar sem questionar a razão ade ataques institucionais e também ataques pessoais”, disse.

Barroso, por sua vez, rebateu um trecho específico da fala de Bolsonaro, no qual o presidente acusa o ministro de ter participado de um evento chamado “Como se livrar de um presidente”, nos Estados Unidos. Em nota, Barroso afirmou que sua palestra teve o tema “Populismo Autoritário, Resistência Democrática e Papel das Supremas Cortes”, e que o conteúdo da apresentação é público.

Bolsonaro também reiterou mais de uma vez, durante o encontro, uma reclamação recente do Ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, de que o TSE não teria aceitado sugestões das Forças Armadas para aprimorar o sistema eleitoral.