24 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro faz discurso negacionista de fim de ano e culpa prefeitos e governadores pela pandemia

Em várias cidades do País foram registrados panelaços durante a fala do presidente na TV

Bolsonaro faz pronunciamento e á alvo de protestos pelo País

Em seu último pronunciamento neste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um discurso visivelmente voltado para as eleições de 2022. Derrotado em todos os cenários pelo ex-presidente Lula (PT) nos principais levantamentos feitos para o próximo ano, ele fez uma espécie de balanço das ações do governo federal desde 2019, mas não hesitou em culpar prefeitos e governadores pelo fiasco do combate à pandemia sob sua gestão durante grande parte do ano de 2021.

Em um discurso negacionista, o político criticou o fechamento de comércios para tentar conter a pandemia que matou quase 620 mil brasileiros desde o início da pandemia. “Nessa batalha, o governo federal dispensou recursos bilionários para que estados e municípios se preparassem para enfrentar a pandemia. Com a política de muitos governadores e prefeitos de fechar comércios, decretar lockdown e toques de recolher, a quebradeira econômica só não se tornou uma realidade porque nós criamos o Pronampe e o BEm, programas para socorrer as pequenas e médias empresas, bem como fomentar acordos entre empregadores e trabalhadores para se evitar demissões”, disse.

Ele também falou contra o passaporte vacinal, que garante que ambientes sejam frequentados apenas por aqueles que estão imunizados, diminuindo as chances de infectar outras pessoas e espalhar o vírus. “Não apoiamos o passaporte vacinal nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar”, pontuou.

O chefe do Executivo, que chegou a dizer que não compraria vacinas e defendeu o tratamento com medicamentos ineficazes contra a covid-19 até recentemente, afirmou que o Brasil “foi um exemplo para o mundo” quando o assunto é vacinação. “Encerramos o ano de 2021 com 380 milhões de doses de vacinas distribuídas à população. Todas adquiridas pelo nosso governo. Lembro que em 2020 não existia vacina disponível no mercado e a primeira pessoa vacinada foi no Reino Unido, em dezembro. Todos os adultos que assim desejaram foram vacinados no Brasil”, disse.

No início do ano, porém, a CPI da Covid no Senado Federal revelou que o governo poderia ter comprado vacinas mais cedo, se não tivesse ignorado tentativas de contato de farmacêuticas como a Pfizer, que já no ano passado, ofereceu imunizantes ao governo brasileiro.

Bolsonaro voltou a criticar a possibilidade de vacinação de crianças entre 5 e 11 anos, mesmo após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina da Pfizer para este fim. “Também, como anunciado pelo Ministro da Saúde, defendemos que as vacinas para as crianças entre cinco e 11 anos seja aplicada somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada”, disse ele.

Alfinetada

O presidente da República também usou seu tempo para alfinetar o ex-presidente Lula, seu principal adversário para 2022, ao afirmar que o Auxílio Brasil é um programa “melhor e mais abrangente que o antigo Bolsa Família”. Ele disse que o governo “mostrou sua identidade ao socorrer os mais humildes que tinham sido abandonados pelos que mandavam fechar tudo” através do Auxílio Emergencial.

O presidente também citou a conclusão das obras da transposição do Rio São Francisco (que foi iniciada no governo petista) como se ele fosse o principal responsável pela iniciativa que levou água a 12 milhões de nordestinos. “A transposição do Rio São Francisco, finalmente, já é uma realidade”, afirmou.

Bahia

Depois de falar de assuntos diversos, o presidente citou a Bahia e o norte de Minas Gerais, locais que sofrem fortemente com enchentes e onde o número de desabrigados já chega a 91 mil. Pelo menos 24 pessoas já morreram.

“Lembro agora dos nossos irmãos da Bahia e do norte de Minas Gerais, que nesse momento estão sofrendo os efeitos de fortes chuvas na região. Desde o primeiro momento, determinei que os ministros João Roma e Rogério Marinho prestassem total apoio aos moradores desses mais de 70 municípios atingidos”, disse ele, já no fim de seu pronunciamento.

Panelaços

O pronunciamento foi acompanhado por panelaços de protesto em várias partes do País, principalmente nas grandes cidade do sul e sudeste, embora as manifestações foram registradas em todas as regiões