28 de novembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Bolsonaro fica só na “conversinha” e não divulga ‘países que compram madeira ilegal’

Presidente não cumpriu novamente sua palavra e ainda acusou índios de trocarem toras por cerveja e Coca-Cola

Após a promessa de divulgar uma lista de países que compram madeira brasileira de forma ilegal, graças uma técnica de identificação de isótopos estáveis feita pela Polícia Federal, como anunciado em evento do Brics, o presidente Jair Bolsonaro recuou.

Costumaz, mas mais uma mentira do presidente deve ter pego alguém de surpresa. Especialmente depois de Bolsonaro ter se sentindo lisonjeado por Vladimir Putin, presidente da Rússia, ter elogiado as “qualidades masculinas” do presidente do Brasil. Só que ele não cumpriu sua palavra.

“A gente não vai acusar nenhum país aqui de cometer nenhum crime ou ser conivente de um crime, mas empresas que poderiam estar nos ajudando a combater esse ilícito”. Jair Bolsonaro, presidente.

Acusado mundialmente não só de ser permissivo, mas também conivente com o desmatamento e queimadas na Amazônia, Bolsonaro inventou de jogar a culpa em outros países – os que compram a madeira ilegal. E quem viu a live de hoje, notou que foi mais uma mentira.

Ou seja: assim como um contrabandista que culpa o cliente comprador pelo comércio de seu material, Bolsonaro inventou em uma reunião do Brics o discurso de que “países rivais” são os compradores da madeira. Não era verdade.

Além de alimentar os bolsonarisas com mais um tópico delirante, Jair de maneira indireta conspirou novamente, como quando afirmou que a iminente 2º onde de covid-19 é uma “conversinha”, agora ao dizer que querem atingir o Brasil.

“É um grande jogo econômico que existe entre alguns países do mundo, em especial para nos atingir porque nos somos realmente potência no agronegócio, as commodities que vêm do campo, e eles querem exatamente diminuir a concorrência nossa”. Jair Bolsonaro.

A declaração, pra lá de oficial, foi dada ao lado do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, e do superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, que estavam com ele na live.

Sobrou para os índios

Além de não apontar quais empresas de outros países estão envolvidas no comércio ilegal de madeira extraída da Amazônia, Bolsonaro voltou a criticar indígenas sem apresentar provas. Segundo ele, tem índio que acaba trocando toras de madeira por uma Coca-Cola.

“Existe o desmatamento ilega? Existe. Eu acho que existe até, Saraiva, alguns locais em o que índio troca uma tora por uma Coca-Cola ou uma cerveja. Acontece isso”? Jair Bolsonaro, em pergunta ao superintendente da PF/AM Alexandre Saraiv.

Por sorte, o delegado não confirmou a informação do presidente, que de forma generalizada jogou a culpa nos desmatamentos mais uma vez nas costas dos índios. Mas jogou no peito de Bolsonaro ao, adivinha, culpar o PT:

“Mas a grande causa do desmatamento é a fraude nos processos administrativos que foram gerados lá atrás. O desmatamento de hoje vem de processos administrativos que autorizaram que vêm lá de 2010. Então não temos desmatamento atrelado a processos recentes, mas a antigos. Mas o ano recorde foi 2018 e 2017 também foi muito forte”. Alexandre Saraiva.

Ou seja: a culpa nunca é de Bolsonaro. Nem mesmo quando falta a virilidade, apontada por Putin, na hora de ser homem e cumprir com sua palavra. Ou nem mesmo para dizer a verdade.

Comércio ilegal

Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostrou que, de agosto de 2017 a julho de 2018, 70% da exploração da madeira no Pará era ilegal.

O engenheiro agrônomo Beto Veríssimo, co-fundador do Imazon, disse no podcast O Assunto, do portal G1, que na última década cerca de 60% a 70% da madeira no mercado interno do país era de extração ilegal. Bolsonaro disse conhecer os responsáveis.

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