4 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Bolsonaro mente sobre Amazônia e Economia e diz que fará debates se não falarem da família dele

Presidente cedeu espaço no bolsonarista “Agora com Lacombe” da RedeTV! e repetiu falas como “floresta úmida não pega fogo”

No programa “Agora com Lacombe”, exibido na noite de ontem (25), o presidente Jair Bolsonaro mais uma vez soltou uma saraivada de mentiras sobre a destruição da Amazônia e do desastre econômico de seu governo.

Acreditando na burrice do eleitor, Bolsonaro insiste na lorota de que floresta úmida “não pega fogo”. A afirmação absurda, de que a Amazônia não pega fogo, chegou até mesmo a ser desmentida pelo vice Hamilton Mourão (PRTB).

“Eu falei uma coisa que foi ironizada. A floresta úmida não pega fogo, pega o entorno”. Jair Bolsonaro, presidente.

Como até mesmo absurdo precisa ser desmentido, pois foi dito pelo presidente, lá vai: em julho deste ano, a revista Nature publicou um estudo mostrando que a Amazônia já tem áreas que emitem mais gás carbônico do que absorvem — um dos reflexos das queimadas na região.

O instituto federal registrou que a devastação no bioma atingiu 13.235 km² entre 1º de agosto de 2020 e 31 de julho de 2021. O índice é considerado o pior dos últimos 15 anos. Já o Greenpeace calcula que nos últimos três anos, sob a gestão Bolsonaro, o Brasil teve um aumento de 52,9% no desmatamento em comparação aos registros de três anos anteriores (2016-2018).

Economia

Rejeitando o papel de Nero da floresta, o presidente também tenta não assumir a situação econômica precária da Nação. E, mais uma vez, culpou as frases “fique em casa” e “a economia a gente vê depois” pela inflação que o brasileiro sofre hoje.

“Nós estamos pagando agora, um preço muito alto do pós-pandemia — se Deus quiser, acho que acabou essa pandemia — é consequência do “Fique em casa”, “A economia a gente vê depois”. A economia tá batendo na porta, tá cobrando alto. E o Brasil é um dos países que menos está sofrendo na questão da economia”. Jair Bolsonaro.

Por partes: ainda não acabou. Quem falou foi um teimoso que insiste nisso desde o começo, defendeu tratamentos ineficazes e que ainda não se vacinou (ao menos é o que ele diz). E, claro, o Brasil é um dos que mais sofre economicamente.

Jogando contra a própria nação, Bolsonaro falou em mimimi e atacou de frente todas as medidas possíveis de contenção ao vírus, desde o isolamento social à vacinação. Tardando, assim, nossa recuperação econômica.

Logo, as medidas de isolamento social não são a causa da alta nos preços, e ajudariam a acelerar a recuperação da economia se tivessem sido bem feitas.

Pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em parceria com a Universidade do Texas (EUA) sobre municípios de São Paulo que adotaram isolamento social mais severo e um artigo publicado em abril por pesquisadores europeus na revista científica The Lancet mostram que a eliminação do coronavírus, não sua mitigação, trouxe melhores resultados para a saúde e a economia.

Sabotando as medidas, ele sabotou o país. Hoje, o Brasil tem o terceiro pior quadro de inflação entre as 20 maiores economias do mundo, atrás apenas de Argentina e Turquia. Em outubro, o país atingiu inflação de 10,67% em 12 meses, a maior para o mês desde 2002. Os preços subiram mais por aqui em especial por causa da desvalorização do real e da queda de investimento estrangeiro.

Estes fatores têm relação com o ambiente político do país, implicando numa série de outros problemas, como a alta nos combustíveis; a crise hídrica e o aumento na conta de luz; e questões climáticas que afetaram a agricultura.

Debates em 2022

Eleito evitando participar de debates nas eleições de 2018, o presidente Jair Bolsonaro, hoje derrotado segundo pesquisas recentes pelo petista Lula em um eventual 2º turno, disse que participaria de debates desta vez. Mas se fosse proibido falar de sua família e amigos.

O homem eleito sem projeto político, mentindo sobre se afastar da mamata e corrupção, e acusando o entorno de outros candidatos, mostrou estar com o telhado de vidro, com amigos e familiares envolvidos com cheques suspeitos, roubos de salários e envolvimento com milícia. Bolsonaro é mesmo uma piada.