26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
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Bolsonaro no clima perfeito para manter a grana, cargos e impunidade

Michel Temer apareceu para repetir a mensagem a Joesley: “Tem que manter isso aí, viu”?

Temer e Bolsonaro em parceria: ‘Tem que manter isso aí, viu’?

A frase de Michel Temer no pós golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, “tem que manter isso aí, viu – gravada por Joesley Batista, dentro do Planalto, caiu como uma luva para Jair Bolsonaro e seu manifesto à nação, redigido pelo próprio Temer.

Lá, no caso Joesley, o manter isso era continuar o pagamento de propina ao doleiro Lúcio Funaro, para que esse não entregasse também o então presidente Temer, principalmente depois do assessor dele, Rodrigo Rocha Flores, ter sido flagrado correndo pelas ruas de São Paulo com uma mala cheia de dinheiro: R$ 500 mil.

A informação do MPF foi, então, de que o dinheiro era para entregar ao próprio Temer. Mas isso passou e o mandatário se livrou da acusação.

A questão é o manter isso pelo menos para a classe política. O que pode ser traduzido no orçamento paralelo administrado pelo Centrão, que do final do ano passado até agora já entregou a deputados amigos do Presidente mais de R$ 3 bilhões.

Do alto da sua ignorância explícita, Bolsonaro está entregue aos partidos que compõem o centrão e agora mais do que nunca, pianinho.

Ele consiste em mais uma peça do sistema, alvoroçado na própria incompetência. Além disso, para esconder o processo da rachadinha, a mansão de R$ 6 milhões do filho 01 e a de R$ 3 milhões do filho 04, no lago sul de Brasília.

O clima é perfeito para os líderes políticos que controlam a situação e atuam em bloco. Eles navegam ao sabor da grana que lhes ergue e os fortalecem até para “destruir coisas belas”, tal como na música de Caetano.

Com o governo enfraquecido, sem rumo, nem perspectivas dentro do Brasil real, eles passam a ter facilmente o acesso a cargos, grana e a impunidade. Ou seja, Temer, não entrou na jogada à toa: “Tem que manter isso aí, viu”?

O ex-presidente não apareceu “apaziguador” como um qualquer, depois das histrionices e bravatas de Bolsonaro no cargo. Inclusive, chamando de canalhas ministros do Supremo.

Está claro que ação, em meio ao fracasso do governo foi para reduzir pressões pela abertura de um processo de impeachment e evitar decisões contra os filhos de Bolsonaro investigados no STF. A cadeia é uma possibilidade real e isso deixou o “paizão” atordoado.

A questão é que Temer como “ghost writer” de Bolsonaro cometeu um ato falho – talvez proposital – quando diz na carta que os ataques feitos ao STF foram frutos do “calor do momento”…

Nada garante, portanto, que outra onda de calor não tome conta do missivista, em meio a um clima que está muito longe de arrefecer.

A não ser que além do Centrão, Temer também seja o presidente “ad hoc“.

Aí é fim de jogo mesmo.