26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

“Brasil acima de tudo”: Bolsonaro fez pouco caso de Museu Nacional, não de Notre Dame

Quando o Museu Nacional do Rio foi tomado por um incêndio, em setembro, o hoje presidente perguntou “Já pegou fogo, você quer que eu faça o que?”

Com um discurso ufanista, o presidente Jair Bolsonaro foi eleito após uma campanha com o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Militar e rememorando tanto os anos de regime quanto ignorando o Estado Laico, o presidente adota um discurso que agrada seus eleitores e hoje fãs. Mas peca quando, de verdade, defende Brasil e brasileiros.

Além de entrega da Amazônia para estrangeiros realizarem mineração, exaltação do Estado de Israel, turismo sem passaporte para pessoas de países específicos, descaso com estudo científico nas universidades brasileiras, desrespeito com o salário mínimo e até mesmo uma negação absurda de inocentes fuzilados pelo exército, Bolsonaro mostra mais uma vez a predileção por estrangeiros.

Um incêndio atingiu a Catedral de Notre-Dame, no centro de Paris, e causou comoção mundial. Inclusive do presidente, em seu Twitter:

Por outro lado, quando o Museu Nacional do Rio foi tomado por um incêndio, em setembro, durante as eleições 2018, o discurso foi completamente outro. A falta de empatia foi surreal:

“Já pegou fogo, você quer que eu faça o que?”, respondeu o presidente a uma jornalista que havia questionado sobre o tamanho da tragédia causada pelo incêndio. “Meu nome é Messias, mas eu não sei fazer milagre”. Jair Bolsonaro, então candidato, sobre incêndio no Museu do Rio.

O prédio do Museu Nacional, na zona norte do Rio de Janeiro, foi tomado por um incêndio de grandes proporções na noite deste domingo (2). O prédio foi fundado em 1818 por Dom João VI. Não é só o museu mais antigo do Brasil, mas também a mais antiga instituição científica nacional.

Ele era um dos maiores museus da América Latina, com um acervo de história natural gigantesco, de mais de 20 milhões de itens catalogados.

Os bombeiros retiraram uma pequena parte das obras, antes de ser atingida pelo fogo, sem que fosse preciso o total resgatado. Do que ficou, sobraram apenas cinzas. Bolsonaro preferiu seguir com críticas ao direcionamento de verbas da Cultura.

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