26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Maceió

Câmara aprova ofício que pede suspensão das atividades da Braskem em Bebedouro e Mutange

Alguns vereadores se mostraram resistentes a proposta e declaram voto contrário

A Câmara Municipal de Maceió aprovou ofício que pede ao promotor de Justiça do Estado, Antíogenes Lira, a paralisação do trabalho de extração de Sal-gema, feito pela Braskem, nos bairros de Bebedouro e Mutange.

A iniciativa é do vereador Francisco Sales (PPL) e foi aprovada na sessão ordinária desta terça-feira (26). O tema, no entanto, gerou uma ampla discussão entre os parlamentares.

O ofício já tinha entrado em pauta na semana passada, mas por falta de entendimento, foi retirado. Alguns vereadores se mostraram resistentes a proposta e declaram voto contrário.

“Obviamente que a responsabilidade desta Casa é com a vida, mas também precisamos ter em mente que suspender as atividades da Braskem no Bebedouro e Mutange vai acarretar no desemprego de pelo menos 20 mil pessoas. Sou contra a paralisação porque, de toda forma, não se tem laudo que comprove que a empresa seja a responsável pelos problemas que têm acontecido no Pinheiro. Além disso, a tendência, pelo que temos escutado, é que a Braskem não tenha responsabilidade.”. Vereador José Márcio Filho (PSDB).

“Entendo a preocupação com a solicitação, mas também vejo que não podemos levar mais pânico à população, mais do que ela vem sofrendo. Entendo que essa iniciativa, poderia esperar por algumas semanas para vermos se as autoridades conseguem determinar as causas das rachaduras e fissuras no Pinheiro, por exemplo. Por tudo isso, sou contra a medida de paralisação das atividades da Braskem no Mutange e Bebedouro”. Vereador Cléber Costa (Progressistas).

Esfera estadual

O Governo do Estado suspendeu, por meio do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), as licenças ambientais da Braskem para extração de sal-gema na região do bairro do Pinheiro, em Maceió. O anúncio foi feito em vídeo pelo governador Renan Filho, no final de janeiro.

A decisão foi tomada após consulta ao Ministério Público Estadual (MPE) e diante da ausência de estudos conclusivos sobre as causas das rachaduras em edificações e do afundamento de solo no Pinheiro.

“Os poços já não estavam mais em operação, entretanto, a partir de agora, não há mais autorização para voltarem a funcionar. A medida preventiva visa garantir a segurança de quem vive no bairro neste momento. É dever de todo governante agir com transparência. O Serviço Geológico do Brasil lista, entre os possíveis fenômenos da instabilidade no solo, a atividade de mineração do sal-gema e a extração de água subterrânea, assim como movimentações tectônicas” Renan Filho, governador de Alagoas.

Como ainda não há consenso sobre as causas e não se tem respostas precisas sobre o fenômeno, o governador afirmou que é preciso agir.

Renan Filho garantiu, ainda, que o compromisso dele com o povo alagoano é e sempre será de mantê-lo informado, agindo com transparência e proximidade.