26 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Câmara de gás: ONU cobra investigação célere e completa da morte de Genivaldo na viatura da PRF

Genivaldo, cidadão negro e pobre, foi torturado e morto dentro de uma viatura policial

Genivaldo Morreu vítima da violência policial, em uma câmara de gás improvisada.

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do escritório que cuida de direitos humanos na América do Sul, após a repercussão do caso, cobrou das autoridades brasileiras uma “investigação célere e completa” sobre a morte do sergipano Genivaldo Jesus Santos, que morreu numa espécie de Câmara de Gás instalada na mala de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal, em Umbaúba (SE).

O chefe da regional da ONU, Jan Jarab, declarou, em nota, que é fundamental que as investigações cumpram as normas internacionais de direitos humanos e que os responsáveis sejam levados à Justiça, garantindo reparação aos familiares da vítima. “Mais uma vez, coloca em questão o respeito aos direitos humanos na atuação das polícias no Brasil”, escreveu.

Neste sábado, 28m a Polícia Federal (PF) fez,  a perícia da viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na qual Genivaldo morreu asfixiado em uma abordagem, na última quarta-feira.  O resultado da averiguação ainda não foi divulgado. Além da viatura, o corpo da vítima passou por necropsia. O Ministério Público Federal também apurar o crime de alta repercussão no País e no mundo.

A suspeita de que Genivaldo morreu em decorrência do gás lacrimogêneo lançado no interior da viatura, quando ele já estava imobilizado, foi reforçada após laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) de Pernambuco, que atestou óbito por asfixia e insuficiência respiratória.

Vídeos e depoimentos de testemunhas apontam que Genivaldo foi alvo de xingamentos, rasteira e chutes por parte dos policiais rodoviários federais, que o imobilizaram pressionando o joelho sobre o tórax da vítima. Genivaldo era um cidadão negro e pobre que sofria de problemas mentais, segundo familiares.

Repercussão Internacional

Jornais internacionais e órgãos de proteção aos direitos humanos também reforçaram a cobrança sobre as autoridades brasileiras. O jornal britânico The Guardian apontou que a morte do sergipano ocorreu dois anos após o assassinato de George Floyde — asfixiado pela polícia de Minneapolis (EUA) há dois anos. O The Washington Post destacou que o homem foi morto depois de ser colocado por policiais dentro de um carro com gás.(DHC, com agências)