15 de agosto de 2022Informação, independência e credibilidade
Justiça

Caso Braskem: Sururu branco não tem relação com mineração, aponta estudo divulgado pelo MPF

Molusco invasor pode ser espécie do caribe que chegou ao litoral do nordeste brasileiro em lastro dos navios da marinha mercante

O Ministério Público Federal (MPF), por meio do grupo de trabalho que acompanha o caso Pinheiro em Alagoas, torna público os estudos realizados pela empresa Tetra Tech por ocasião da elaboração do Diagnóstico Ambiental na região afetada pela mineração, em Maceió (AL).

A notícia do aparecimento de um molusco de casca esbranquiçada, o sururu branco, foi apresentada para a Braskem durante a Escuta Formal Publica.

A partir dessa notícia foi organizada uma campanha de coleta de exemplares de sururu (Mytella charruana) e de moluscos esbranquiçados, com o objetivo de identificar, por meio de análises de DNA, se os organismos eram ou não da mesma espécie de molusco bivalve, em relatório que pode ser chegado aqui na íntegra: Investigação sobre o Aparecimento de Moluscos Esbranquiçados na Lagoa Mundaú

“Identificou-se tratar de uma espécie exótica, proveniente da América Central e que, provavelmente, chegou ao litoral do nordeste brasileiro por meio das águas de lastro dos navios da marinha mercante. Descobriu-se também que essa espécie já foi encontrada e registrada no estuário do rio Paraíba, em João Pessoa – PB e em diversos países da África, Ásia, Europa e Oceania, tendo sido registradas como espécie exótica em todas essas localidades”.

Não foram realizadas coletas para entender o nível de presença desse organismo exótico na lagoa Mundaú, objetivando apenas identificar o tipo de organismo que vem sendo capturado pelas comunidades.

“O molusco esbranquiçado encontrado é o bivalve Mytlopsis sallei, uma espécie exótica com origem na América Central e que atualmente possui uma distribuição em diversos ambientes estuarinos ao redor do mundo, tendo se espalhado muito provavelmente por meio da água de lastro de navios mercantes, não guardando relação com a pretérita atividade de extração de sal-gema da Braskem”, conclui o relatório..

Os relatórios divulgados são parte das obrigações da empresa Braskem previstas no Acordo Socioambiental e Urbanístico, que prevê ações de mitigação e reparação dos danos ambientais.

No final do mês passado, o deputado Lobão discursou em defesa do sururu da Lagoa Mundaú, apresentando um alerta sobre a morte do sururu e como isso afeta os marisqueiros da região.

“Há alguns meses houve o surgimento do sururu branco, que se despedaça ao ser cozido, o que piorou com as chuvas”, disse o deputado, relatando que moradores da região nunca tinham visto tal situação.

O sururu, patrimônio imaterial de Alagoas, é um molusco utilizado como base para diversos pratos típicos, podendo ser cozido em água e sal ou cru e incorporado no preparo de pratos como ensopados e moquecas.

A presença do sururu “branco” ou “galego” causa preocupação. Isso acontece por causa dos altos níveis de poluição que comprometem a qualidade da água, níveis de oxigênio e presença de metais pesados.

Informações relevantes

O MPF entende que as informações contidas nos relatórios produzidos são relevantes e de interesse público, inclusive para pesquisadores de diferentes frentes de estudos ambientais e para órgãos públicos que queiram tomar os estudos como referência e, por isso, todo o material está disponível em sua página na internet para fins de consulta e pesquisas.

Aqueles que quiserem fazer algum tipo de contribuição no Plano Ambiental podem protocolar o pedido junto ao MPF. No entanto, vale ressaltar que eventuais sugestões de mudança estão submetidas à aprovação da empresa revisora. Para ter acesso ao Plano Ambiental da Tetra Tech, clique nos links abaixo:

Plano Ambiental