29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Chamado de genocida, Bolsonaro faz motociata em SP às véspera de 500 mil mortes na pandemia

Evento com motociclistas paulistas, agora chamado de “Acelera Para Cristo”, promete ser maior que o promovido no Rio de Janeiro

O presidente Jair Bolsonaro segue em seu país de fantasia. Vendendo a ilusão de que a retomada da economia já aconteceu e que a pandemia está no fim (ou que nem mesmo havia sido importante), ele promove nesta manhã de sábado uma motociata em São Paulo.

Um evento, de forma macabra, com extrema proximidade da lamentável marca de 500 mil mortes por Covid-19 no país – um número contestado pelo presidente, com dados inventados por um bolsonarista no TCU, e que parece não importar quão alto ele seja. E isso porque ele previa menos de 9 mil mortes.

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A tal motociata, que como não poderia deixar de ser, passou a se chamar “Acelera Para Cristo”, deve afetar o trânsito de ruas e avenidas da cidade de São Paulo no final da manhã e início da tarde deste sábado (12), além de uma das principais rodovias do estado, que liga a capital à Campinas.

Saindo de Santana, na zona norte da cidade, o deve seguir pela marginal Tietê, a partir da Ponte Governador Orestes Quércia, e continuar até o quilômetro 62 da Rodovia dos Bandeirantes.

E a brincadeira não será barata: a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que haverá um efetivo de mais 6.300 policiais a postos, com policiamento reforçado em toda a capital, com a participação de diferentes batalhões em cerca de 2.100 viaturas, cinco aeronaves e dez drones. O evento, portanto, será maior que o realizado no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, o Brasil registrou ontem mais 2.215 mortes por Covid em 24 horas. Com isso, a média móvel volta a ficar acima de 1,9 mil após 18 dias País contabilizando 484.350 óbitos.

A motociata

Após o início do evento, às 10h da manhã, o presidente Jair Bolsonaro interrompeu por cerca de 20 minutos o passeio de moto pelo estado de São Paulo para interagir com seguidores na pista da Rodovia dos Bandeirantes.

A parada provocou aglomeração de motociclistas, que gritavam em apoio ao presidente.No momento em que apoiadores começaram a xingar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), Bolsonaro reagiu com gestos com as mãos, como se regesse o coro.

Durante a parada, Bolsonaro ainda subiu na moto, balançou uma bandeira do Brasil e chegou a se enrolar nela. Apoiadores também gritaram coros como “nossa bandeira jamais será vermelha”, “eu vim de graça” e “mito”.

O trajeto previsto tem 129 quilômetros de extensão, grande parte da Rodovia dos Bandeirantes, que liga a capital à região de Campos. Motos deixaram a região do Sambódromo das 10h às 10h50. Bolsonaro foi autuado por não usar máscara.

Motoqueiros e ciclistas com bandeiras do Brasil amarradas aos veículos, além de manifestantes a pé, se aglomeraram na avenida Santos Dumont para recepcionar o presidente.

Vestindo uma jaqueta de motociclista bordada com seu retrato e um capacete em que estava escrito “presidente Bolsonaro”, ele acenou para os manifestantes quando chegou e saiu de moto na avenida Santos Dumont com um segurança em sua garupa, seguido por centenas de motociclistas. Apoiadores a pé e de bicicleta se aglomeraram para ver o presidente, gritando “mito”.

Genocida

Um dia antes, enquanto visitava o Espirito Santo, o presidente entrou de surpresa  em um voo comercial da Azul. Enquanto entrava no avião para tirar fotos com a tripulação e passageiros, ele ouviu gritos de “Fora Bolsonaro” e “genocida”.

Na mesma semana, os termos ‘Genocida do caralho’, ‘Que ódio’ e ‘Impeachment’ ficaram entre os mais usados nas horas seguintes em que o presidente Jair Bolsonaro prometia um parecer, “assinado por um tal de Queiroga”, que desobrigava uso de máscaras.

Claro, era mais uma desinformação mentirosa: o parecer seria apenas um estudo do ministro da Saúde, para um futuro distante. A mentira teve o mesmo peso dos números inflados da Covid, segundo um parecer que Bolsonaro jura existir.

De qualquer forma, chamado na cara de genocida, Bolsonaro respondeu que os insatisfeitos com seu governo deviam estar viajando de jegue, e não de avião, assim como o candidato deles, Lula.

Bolsonaro, que em seu mundo de fantasia, segue tentando passar a ilusão de que para ser contra ele, precisa ser seguidor de um partido específico ou candidato que ele tanto cita. Mas o cenário é mais simples: qualquer ser pensante entende o que há de errado no Brasil. E hoje ele vai liderar uma motociata durante uma pandemia.