20 de outubro de 2021Informação, independência e credibilidade
Expresso

Chapa Unir Faz Bem conhece no interior a história de luta dos decanos da advocacia

São curiosos relatos de defesa dos direitos da cidadania distantes no tempo e no espaço revelados pela pré-campanha

A decana Maria Aparecida falou do orgulho de ser advogada, na luta pelos direitos da cidadania

As visitas de lideranças do Movimento “Unir Faz Bem” a diversas cidades alagoanas têm revelado mais um componente da dedicação de profissionais da advocacia em seu exercício: o que se pode chamar dos decanos – e, em particular, as mulheres.

O movimento tem como principais lideranças o advogado Vagner Paes e a advogada Natália Von Sohsten, respectivamente pré-candidato à presidência e pré-candidata à vice-presidência da OAB de Alagoas, nas eleições de novembro.

Foram já visitadas pela caravana do Movimento “Uni Fiz Bem” as cidades de Pão de Açúcar, Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema, Campo Alegre, Piaçabuçu, Penedo e São Miguel dos Campos dos Campos, além de Arapiraca.

Em todas, as lideranças do Movimento liderado por Vagner Paes e Natália Von Sohsten, receberam apoio às suas pré-candidaturas à direção da representação alagoana da mais importante entidade da advocacia brasileira.

Bem como participaram do lançamento de pré-candidaturas às subseções, as unidades regionais da OAB de Alagoas.

E para ainda reforçar a dedicação desses profissionais com mais experiência, alguns exemplos vêm de cidades do Sertão de Alagoas, distantes da capital – condição que, portanto, coloca um elemento de dificuldade, quando se precisa, por exemplo, recorrer a procedimentos que se encontram apenas na sede da seccional.

Em Delmiro Gouveia, o advogado José Carlos de Araújo, que atua nas áreas cível, trabalhista e previdenciária, começou em 1985.

E relembra que antes deles, havia apenas dois operadores do Direitos que militavam na advocacia; dois procuradores do INCRA – um, com escritório em Pão de Açúcar; outro, ainda mais distante: em Arapiraca.

O advogado Cícero Angelin presidiu a subseção de Santana do Ipanema por três mandatos – nove anos.

Na condição de representante das advogadas e advogados do alto Sertão de Alagoas, convive com as demandas do segmento – e repassadas, agora, a Vagner Paes e Natália Von Sohsten.

Salas para advogados em fóruns, nas sedes de comarca do interior, respeito às chamadas prerrogativas (direito dos advogados de ter acesso a processos e a clientes que estejam em unidades prisionais) e a honorários justos são algumas das reivindicações com que convivem os chamados decanos, já há décadas.

Em São Miguel dos Campos, a advogada Marly Ribeiro conclamou a advocacia na cidade apoiar os nomes de Vagner Paes e Natália Von Sohsten, assim como o da advogada Tássia Silva, pré-candidata à presidência da subseção da OAB na cidade.

Primeira advogada de São Miguel, sua atuação como operadora do Direito na importante região da Zona da Mata alagoana lhe rendeu a condição de primeira mulher eleita vereadora na cidade.

Também integrante do Legislativo municipal foi a primeira mulher advogada em Santana do Ipanema, cidade do Sertão de Alagoas.

Formada pela segunda turma de Direito uma das primeiras instituições de ensino superior de Alagoas, ainda com sede apenas em Maceió, Maria Aparecida Teodósio Monteiro começou a advogar em 1979.

Enfrentou uma série de dificuldades, a começar pelo machismo que, se ainda hoje está presente – e precisa ser erradicado – no país, o que dizer dessa região, há quase meio século.

Atuou em 119 julgamentos, em Alagoas e Sergipe, e conta na maioria dos casos, no início da profissão, advogava de graça.

Num desses juris, mesmo tendo conseguido pena menos severa para o réu (acusado por assassinato em Alagoas, mas, com extensa ficha criminal em São Paulo), foi jurada pelo “cliente” – ela e o promotor do caso.

Porém, pela periculosidade, pouco tempo depois de começar a cumprir a pena no então único presídio de Alagoas, o São Leonardo, o acusado acabou assassinado.

Curiosamente, não são os inúmeros casos de pessoas sem acesso aos serviços jurídicos que ajudou, advogando sem cobrar.

“Meu maior orgulho é ter sido presa, no ano de 1983, defendendo os direitos dos trabalhadores rurais”, conta ela, entre os muitos abusos de poder, violações à condição de mulher e defensora de direitos que sofreu.

O caso teve início com episódio de um trabalhador rural, que matou a mulher e os filhos e cometeu suicídio. Motivo: a fome.

Ela conta que difundiu que, em vez disso, as pessoas furtassem animais de pequeno porte, para alimentar a família.

A “recomendação” chegou ao conhecimento das autoridades policiais – em Santana e na capital, Maceió.

Houve uma comoção população, com saques às unidades da antiga COBAL (Companhia Brasileira de Alimentos), no sertão.

Ela, então recebeu telefonema da autoridade da segurança pública local “convidando-a” para ir à delegacia.

“Eu já fui logo perguntando pelo ‘jipão’ [carro usado pelas guarnições, na época] e para que reservassem minha cela, para eu ver o sol nascer quadrado”, relembra.

A mobilização popular provocada pela prisão, levou as autoridades a ter que liberá-la.

“E eles não usaram uma arma”, faz questão de frisar, referindo-se aos trabalhadores que exigiam sua liberação. “Foram para a frente da delegacia com as ferramentas que usam no campo. E se Deus me der o direito de reencarnar, quero ser criminalista de novo”, acrescenta a advogada Maria Aparecida.

“Fui eu que fundei a associações de gays e lésbicas, aqui, associações de mães solteiras e para empregadas domésticas, comprava máquinas para mulheres terem uma renda. Por tudo isso, eram ‘mau vista’ pelas autoridades”, acrescenta – com muito orgulho.