25 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Chefe da PRF que declarou pesar à morte de agente por covid-19 é retirado do cargo

Nota foi criticada pelo presidente, pois não disse que o agente morto tinha comorbidades

Marcos Roberto Tokumori tinha 53 anos quando foi vítima de coronavírus. Após passar 23 dias na UTI, o agente administrativo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) morreu em 21 de abril. Ele integrava a corporação em Santa Catarina há seis anos e é um dos mais de 22 mil brasileiros que não resistiram às complicações da doença.

E o então diretor-geral da corporação, Adriano Furtado, após tomar conhecimento da morte do agente, declarou em nota que a doença, “a Covid-19, não escolhe sexo, idade, raça ou profissão”.

A nota foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro em um dos trechos da reunião ministerial de 22 de abril, que teve o conteúdo tornado público na sexta-feira, 22. Ele afirma ter ligado para o Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal.

“Vamos alertar a quem de direito, ao respectivo ministério, pode botar CODJV-19, mas bota também tinha fibrose nu… montão de coisa, eu não entendo desse negócio não. Tinha um montão de coisa lá, pra exatamente não levar o medo à população. A gente olha, morreu um sargento do exército, por exemplo. A princípio é um cara que tá bem de saúde, né? Um policial federal, né? Seja lá o que for, e isso daí não pode acontecer. Então a gente pede esse cuidado com o colegas, tá? A quem de direito, ao respectivo ministério, que tem alguém encarregado disso, né? Pra tomar esse devido cuidado pra não levar mais medo ainda pra população”. Jair Bolsonaro, presidente.

Para a a mulher do agente, Ana Paula Gomes, o presidente ‘faz uma coisa e fala outra’. Foram os colegas de trabalho do agente administrativo que cuidaram do velório. E o diretor da PRF, Adriano Furtado, responsável pela nota, foi desligado da chefia da corporação na última sexta (22).