23 de setembro de 2020Informação, independência e credibilidade
Mundo

Cientistas dizem que algumas crianças podem espalhar covid-19 mesmo que já tenham anticorpos

Pacientes com idades entre 6 e 15 anos demoraram mais, um tempo médio de 32 dias, para eliminar o vírus

Adaptação do original de Quentin Fottrell.

Com a reabertura de escolas e faculdades, cientistas dizem que o distanciamento social continua sendo uma resposta crítica de saúde pública ao covid-19.

Uma nova pesquisa divulgada na quinta-feira lança mais luz sobre as crianças com teste positivo para o novo coronavírus e seu grau de contágio.

As crianças geralmente permanecem assintomáticas ou apresentam poucos sintomas, e a pesquisa também oferece insights sobre o curso da doença em um momento importante para famílias e comunidades.

Um estudo publicado na última edição do Journal of Pediatrics descobriu que o vírus e os anticorpos podem coexistir em pacientes jovens.

“Com a maioria dos vírus, quando você começa a detectar anticorpos, não detecta mais o vírus. Mas com covid-19, estamos vendo os dois. Isso significa que as crianças ainda têm potencial para transmitir o vírus, mesmo que haja anticorpos são detectados. As crianças ainda têm potencial para transmitir o vírus, mesmo que os anticorpos sejam detectados”. Burak Bahar, principal autor do estudo e diretor de Informática de Laboratório do Children’s National Hospital em Washington, DC.

Números

Os pesquisadores revisaram uma análise de 6.369 crianças testadas para SARS-CoV-2, o vírus que causa COVID-19, e 215 pacientes que realizaram testes de anticorpos no Children’s National entre março de 2020 e junho de 2020.

Destes 215 pacientes jovens, 33 testados positivo para vírus e anticorpos durante o curso da doença. Nove desses 33 também mostraram a presença de anticorpos em seu sangue, ao mesmo tempo que posteriormente testaram positivo para o vírus.

Além disso, os pesquisadores descobriram que pacientes com idades entre 6 e 15 anos demoraram mais, um tempo médio de 32 dias, para eliminar o vírus, o que significa que ele havia deixado seus sistemas, em comparação com pacientes com 16 a 22 anos de idade, uma média de 18 dias.

As mulheres na faixa etária de 6 a 15 anos também demoraram mais para eliminar o vírus do que os homens: uma mediana de 44 dias para mulheres contra 25,5 dias para homens.

“Não podemos baixar a guarda só porque uma criança tem anticorpos ou não apresenta mais os sintomas”. Burak Bahar.

O estudo também descobriu que:

  • 25 dias era o tempo médio da positividade viral à negatividade, o momento em que o vírus não pode mais ser detectado;
  • 18 dias para ir da positividade viral à soropositividade, ou presença de anticorpos no sangue
  • 36 dias para atingir níveis adequados de anticorpos neutralizantes.

O “anticorpos neutralizantes” são importantes para proteger potencialmente uma pessoa contra a reinfecção do mesmo vírus, escreveram os pesquisadores.

Quatro advertências importantes:

  1. o estudo analisou um número relativamente pequeno de crianças;
  2. a próxima fase da pesquisa será testar se o coronavírus que está presente junto com os anticorpos para a doença podem ser transmitidos a outras pessoas;
  3. os cientistas precisam explorar se os anticorpos se correlacionam com a imunidade;
  4. eles precisam estabelecer quanto tempo os anticorpos e a proteção potencial contra reinfecção realmente duram.

Bahar reitera a necessidade de distanciamento social.

Estudo separado

Um estudo separado publicado esta semana na JAMA Pediatrics sugere que as crianças podem espalhar a SARS-CoV-2, mesmo que nunca desenvolvam os sintomas ou mesmo muito depois de os sintomas terem desaparecido. 

Ele encontrou uma variação significativa em quanto tempo as crianças continuaram a “liberar” o vírus pelo trato respiratório e, portanto, poderiam permanecer infectadas. Os pesquisadores também descobriram que a duração dos sintomas do COVID-19 também variava amplamente, de três dias a quase três semanas.

Uma revisão sistemática recente estimou que 16% das crianças com infecção por SARS-CoV-2 são assintomáticas, mas as evidências sugerem que até 45% das infecções pediátricas são assintomáticas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Os sinais e sintomas de COVID-19 em crianças são semelhantes a outras infecções e processos não infecciosos, incluindo influenza, de acordo com o CDC.

Um estudo separado da JAMA Pediatrics disse que as crianças podem transmitir a SARS-CoV-2, mesmo que nunca desenvolvam os sintomas ou mesmo muito depois de os sintomas terem desaparecido.

Volta às aulas

Com a redução da incidência e mortalidade pela covid-19 em parte dos estados brasileiros, a discussão sobre o retorno das aulas presenciais ganha força. O Amazonas saiu na frente e iniciou as atividades presenciais nas escolas ainda em agosto. Mas em diversos estados a retomada ainda gera polêmica.

Além do Amazonas, o governo do Pará autorizou o início das aulas em 1º de setembro. Em Minas Gerais, cursos de pós-graduação puderam reiniciar aulas presenciais no sábado (5). No Rio Grande do Sul e em Pernambuco, as unidades educacionais podem funcionar a partir do dia hoje (8). No Espírito Santo, a data fixada foi a próxima segunda-feira (14).

As aulas na rede privada do Rio de Janeiro também tem início previsto para a semana que vem. Nas rede pública do Rio, no entanto, a previsão é de retomada em 5 de outubro.

No Distrito Federal, o governo anunciou a volta às aulas para o início de agosto, mas recuou e ainda não definiu uma data.  Em diversos outras unidades da Federação os governos prorrogaram a suspensão das aulas presenciais. É o caso do Amapá e do Tocantins, até 30 de setembro; e de Rondônia, até 3 de novembro;

As aulas continuam suspensas, sem prazo para retorno em estados como Roraima, Bahia, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraná e Santa Catarina.

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