25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Com democracia em risco, Renan aconselha STF a dialogar com militares

Temor é que Jair Bolsonaro não reconheça o resultado das eleições e promova “arruaças”, sob vistas grossas das polícias militares

Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia ofereceu um jantar reservado para sete senadores em sua casa, em Brasília, nesta semana. No grupo, estava o alagoano Renan Calheiros (MDB). O presidente da Corte, Luiz Fux, também foi convidado.

Todos firmaram o compromisso de que a conversa seria mantida em sigilo, mas as informações acabaram vazando no blog de Mônica Bergamo.

No encontro, os dois magistrados ouviram o conselho do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para que buscassem representantes dos militares para um diálogo sobre a democracia no Brasil. Disse que se fosse Fux, manteria contato direto, e periódico, com as Forças Armadas.

Arruaças

O senador Renan Calheiros endossou o conselho, assim como os demais presentes: Eduardo Braga (MDB-AM), Kátia Abreu (Progressistas-GO), Marcelo Castro (MDB-PI), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Os mesmos senadores já tinham se reunido com os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli em diferentes ocasiões.

O temor entre senadores e STF é que Jair Bolsonaro (PL) não reconheça o resultado das eleições presidenciais de outubro caso seja derrotado. Ele, por exemplo, já faz seguidos ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e coloca em dúvida as urnas eletrônicas.

A concordância é de que as Forças Armadas não embarcariam na aventura de um golpe militar, mas Bolsonaro iria promover “arruaças” no país, sob vistas grossas das polícias militares. E isso tudo poderia ser evitado com uma posição firme do Exército em defesa da democracia.

Ex-líder de governo

O presidente do STF perguntou aos senadores se algum deles conversava com Bolsonaro, e se de fato acreditava que o presidente será capaz de tentar um golpe.

Renan Calheiros e os demais pediram a palavra do colega de partido, Fernando Bezerra Coelho, que já foi líder do governo no Senado e forte defensor do presidente na CPI da Pandemia.

Ele teria afirmado, segundo um dos presentes, que ninguém deveria subestimar a capacidade de Bolsonaro de criar instabilidade no país.

​Depois que Bolsonaro concedeu indulto para o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por ameaças ao Supremo, os senadores decidiram criar um grupo em defesa da democracia para manifestar apoio à Corte.

Agora, os parlamentares pretendem fazer uma rodada de diálogos com diversos setores sobre como conter Bolsonaro caso ele tente um golpe que, mesmo fracassado, poderia levar o país ao quebra-quebra e ao caos.