25 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Brasil

Com quase 100 mil novos casos de covid em 24 h, Saúde pede uso de autoteste na Anvisa

Queiroga disse que as farmácias serão responsáveis por notificar os resultados dos autotestes

Amostras de sangue para o RT-PCR devem ser coletadas entre o terceiro e o sétimo dia do início dos sintomas da Covid-19. Foto: Carla Cleto

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 97.221 novos casos conhecidos de covid-19. A média móvel de casos está em alta desde 29 de dezembro e hoje ficou em 60.072.

Desde março de 2020, o Brasil teve 22.815.827 casos conhecidos da doença a partir de testes. Mesmo alto, esses números ainda podem estar subnotificados porque os dados da pandemia no Brasil ainda sofrem impacto do apagão nos sistemas do Ministério da Saúde, alvo de um ataque hacker em dezembro.

Com uma aceleração inédita durante a pandemia, o número de casos conhecidos de covid-19 explodiu esta semana no país, o que fez a média móvel de sete dias superar o pico da primeira onda registrada em 2020. A projeção é que, nos próximos dias, o número de casos supere o recorde da segunda onda.

Autoteste

Ciente disso, o Ministério da Saúde informou ter encaminhado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pedido de autorização do uso de autoteste de covid. Atualmente, este tipo de teste para a doença não é permitido no país.

“O objetivo dos autotestes é ampliar o acesso ao diagnóstico. Existem laboratórios, hospitais, há uma carência em nível mundial”. Marcelo Queiroga.

A iniciativa da pasta da Saúde ocorre diante do aumento de casos da doença em meio ao surto da variante ômicron do novo coronavírus e à escassez de testes em laboratórios para a detecção de casos. Queiroga disse que as farmácias serão responsáveis por notificar os resultados dos autotestes.

“Os testes serão vendidos nas farmácias, cada uma [delas] tem seu responsável técnico e devem orientar seu cliente a realizar os testes, também as indústrias que fabricam devem deixar acessíveis tutoriais de como se realiza o teste e deve haver notificação de resultado nas plataformas das próprias indústrias, e as farmácias são responsáveis por essa notificação”. Marcelo Queiroga.

Para o governo, o autoteste deve ser usado de forma complementar, como “estratégia de triagem”.

Na nota técnica, o Ministério da Saúde diz que os autotestes TR-Ag devem apresentar sensibilidade e especificidade satisfatórias conforme parâmetros da OMS (Organização Mundial de Saúde). Ou seja, sensibilidade maior ou igual a 80% e especificidade maior ou igual a 97%.

A esperança de diferentes governos europeus é de que os testes realizados pela própria pessoa desafoguem o sistema de saúde e centros clínicos, muitos dos quais passaram a ser tomados por filas de horas para que as pessoas possam ser avaliadas.

Na Inglaterra, por exemplo, os moradores podem retirar autotestes gratuitamente em diferentes locais. Para quem é dos Estados Unidos ou está a passeio, por exemplo, pode encontrar o produto em qualquer farmácia. Na Alemanha, o autoteste passou a ser alvo de uma intensa busca já a partir do mês de novembro. Corridas pelo autoteste também foram verificadas na Espanha e na França.

Apesar de aplaudir os testes como forma de mapear onde está o vírus e permitir que casos possam ser evitados, a OMS alerta que os autotestes geram uma consequência indesejada: a subnotificação de casos.

Ao ser realizado em casa, o teste não tem como ser controlado e seu resultado não necessariamente é informado às autoridades. Ainda que um teste positivo seja registrado e a pessoa permaneça em quarentena, não há uma notificação automática ao estado.