21 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
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Como a carolice é um dos motores da miséria

A mídia voltou a retratar a miséria no país. Não é raro ver reportagens sobre pessoas voltando à situação de fome, sem teto após a renda cair ou sumir diante dessa pandemia.

Gente que perdeu o emprego e voltou a mendigar. Dia desses, uma mulher me pediu uma ajuda, com uma criança no colo. Tinha mais três em casa, esperando algo para comer. Perguntei se ela estava recebendo o auxílio emergencial certinho. Não conseguiu. Bolsa Família? Cancelada.

Enquanto pessoas com renda e emprego receberam o tal recurso, muitos que realmente precisam estão à míngua, esperando “por Deus”.

Bem, indo ao ponto, que vejo nos fóruns de internet é gente reclamando do número de filhos que essas pessoas puseram no mundo.

– Nossa, cinco, seis filhos e não podem sustentar? Que absurdo!

O brado das pessoas que se consideram moralmente superiores expõe toda a hipocrisia da sociedade conservadora.

Se por um lado eles criticam a taxa de natalidade entre os mais pobres, por outro, sabotam qualquer tentativa civilizada de levar aos mais jovens um mínimo de conhecimento na área de planejamento familiar.

É aquela galera que acusam os “comunistas” de quererem ensinar as crianças a fazerem sexo nas escolas. Eles distorcem tudo, talvez achem que os estudantes terão aulas práticas de Kama Sutra, por exemplo.

Os meninos serão incentivados a “virarem gays” e as meninas a serem “libertinas”.

Para eles, sexo é um tabu, a moralidade reside na genitália. Sexo deve ser um assunto abordado apenas entre as paredes de casa, nada de escola tocar no tema.

Pois bem, imagine aquela criança nascida fruto de abuso sofrido pela mãe dentro de casa. Aquela mulher que está na calçada com dois filhos no colo, um amamentando e três atrás de moedinhas nos semáforos. Pense naquelas crianças que vivem com as avós porque o pai morreu ou em confronto com a polícia ou após julgamento do tribunal do crime e a mãe fugiu com um “mala”. Imagine filhos de evangélicos pentecostais.

Agora, reflita: que tipo de educação sobre a questão reprodutiva elas vão receber?

Não entendo como a geração que cresceu vendo a banheira do Gugu e esperando os pais dormirem para ligar a televisão e se deleitar com Emannuelle e as sessões de cinema nacional na Band e Rede Manchete virou tão cega e carola.

Para que as pessoas não ponham mais miseráveis no mundo, uma solução é investir na educação, disseminar informações sobre planejamento familiar, os conservadores, principalmente os ligados às igrejas, que sentem de bunda no chão e esperneiem igual a criança malcriada no supermercado.

A segunda é promover políticas públicas de inclusão social, melhorando a qualidade da educação e gerando emprego, por exemplo.

O resto é carolice.

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