25 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Coronavac tem eficácia geral de 50,38%, no limite para aprovação

Resultado foi divulgado nesta terça-feira após cobrança de cientistas

O Instituto Butantan finalmente detalhou a eficácia geral da vacina Coronavac: 50,38% contra a Covid-19. O dado foi informado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no pedido de registro emergencial da vacina, e está acima dos 50% requeridos universalmente para considerar um imunizante viável.

Numericamente, o dado é muito inferior aos 78% de prevenção de casos leves e 100% de pacientes moderados, graves ou mortos evitados pela Coronavac revelados na semana passada, mas a eficácia divulgada nesta terça (50,38%) inclui voluntários que foram infectados pelo novo coronavírus e não tiveram sintomas que necessitaram de atenção médica, classificados como casos muito leves.

13.060 voluntários

A vacina, de origem chinesa, foi testada em um grupo de 13.060 voluntários no estudo comandado pelo Butantan, todos profissionais de saúde com idade maior de 18 anos.

Por trabalharem diretamente com os pacientes, esses voluntários estão entre as pessoas que têm o maior risco de ter contato com o vírus e se infectarem.

​Foram infectadas ao longo do ensaio, iniciado em julho, 218 pessoas. Dessas, cerca de 160 tinham recebido placebo e 60, a Coronavac. O estudo não avaliou a quantidade de voluntários assintomáticos,que podem ter se infectado com o vírus sem desenvolver nenhum tipo de sintoma.

Estimativas de cientistas apontam que assintomáticos podem ser mais de 50% do total de infectados pelo Sars-CoV-2, mas a ausência de manifestações clínicas dificulda o diagnóstico.

A Organização Mundial da Saúde define uma escala de 0 a 10 de sintomas, zero sendo o assintomáticos, 1 a 3 leves, 4 e 5 moderados, 6 a 9, graves e 10, fatalidades. O Butantan enfatizou, na divulgação da semana passada, a eficácia da Coronavac para todos os grupos acima de 1.

Os 50,38% do resultado geral estão abaixo dos dados acima de 90% de eficácia divulgados pelas vacinas que utilizam a nova tecnologia de RNA mensageiro, como a da Pfizer e da Moderna, nas quais material genético é usado para levar proteína estimulante do sistema imune ao paciente.

Anvisa

A divulgação inicial de dados incompletos levaram a críticas, por parte de cientistas, acerca da transparência do processo. O Butantan alegou que só poderia falar após fazer o pedido de uso emergencial à Anvisa.

A área política do governo de João Doria (PSDB-SP) pressionou o Butantan a aclarar a situação. A Coronavac está no centro da disputa política entre o tucano e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que começou com a oposição entre o negacionismo federal e o ativismo estadual no manejo da pandemia.

Agora, a disputa gira em torno da vacinação, ainda que Bolsonaro sempre tenha colocado imunizantes em dúvida. O governo federal incluiu a Coronavac, todas as 46 milhões de doses já encomendadas da China prontas ou em insumos, no Programa Nacional de Imunização.

O imunizante que havia sido a aposta inicial do governo federal, da britânica AstraZeneca/Universidade de Oxford, teve seu pedido de uso feito horas depois do da Coronavac e agora ambos apostam uma espécie de corrida na agência.