27 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Corrupção, fundão, familícia e centrão: Como ainda justificar apoiar Bolsonaro

O capitão reformado foi eleito com muitas promessas e dizendo ser honesto, mas só sendo cúmplice, sonso, iludido ou idiota para ainda cair nessa

Então você não só votou para presidente em 2018, como fez e ainda faz campanha por Jair Bolsonaro. E acredita fielmente que ele é o melhor presidente da histórica do Brasil. O único capaz de restaurar os valores da família tradicional e acabar com a corrupção endêmica no país.

Antes de tudo, meus parabéns pela contribuição, caro patriota. Aparentemente, a intenção foi das melhores. Você queria alguém que trouxesse de volta ao Brasil o respeito internacional, uma economia sustentável e o fim da mamata. Insisto: a intenção foi das melhores.

Porém, hoje, até mesmo o maior dos fieis deve reconhecer: está difícil. Seja por causa da vilanesca esquerda que “torceu contra e não deixou o homem trabalhar“, pessoas que ficaram “desempregadas de propósito para atrapalhar” ou uma pandemia que chegou “só para prejudicar a prosperidade”… que ainda não estava acontecendo no Brasil.

Falando na pandemia: se você ainda acredita que máscaras não ajudam contra o vírus transmitido pelo ar e segue se recusando a ser vacinado, seja por ninguém próximo ter morrido (ou ter perdido apenas um avô, tio, pai ou mãe) não há diálogo contigo. Seja por ser cúmplice, sonso, iludido ou aceitar ser enganado, parabéns pela convicção e continue abraçado ao atual presidente em 2022.

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E olha que não dá nem mais para garantir a imagem limpa de Bolsonaro. O capitão reformado do Exército, que outrora foi considerado pela própria instituição como corno, muambeiro e responsável por planejar um atentado terrorista (se você não sabia disso, sinto, mas é sério e factual), quem diria, começou a ter rachas na sua imagem imaculada.

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O homem que fez campanha prometendo biblicamente que sempre contaria a verdade, quem imaginaria, contou uma ou outra mentira. Não vamos entrar em detalhes, por questão de concisão, mas a corrupção no roubo do salário de assessores e o casamento de interesses com o centrão, algo que envolve muito toma lá, da cá, mamatas, compra de votos, além dos gastos bilionários com as eleições, são só alguns fatores.

Não conseguiu nem mesmo ser claro quando seus deputados e senadores, sejam eles líderes, próximos, encostados e capachos, ou mesmo os filhos 01 e 03, votaram a favor do orçamento paralelo (que vai direcionar 11 bilhões de ministérios para emendas e favores) e do fundão eleitoral de R$ 5,7 bilhões.

Esse último, inclusive, resultou em muito apoiador acordando pra vida e deixando de ser idiota, para passar a reclamar da óbvia corrupção e desonestidade do governo.

Deu também que ele não colocou as pessoas mais competentes no cargo. Os trabalhos feitos na Economia, Justiça, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia, para citar alguns, foram destrutivos. Do tipo que se o objetivo era mutilar, aparentemente conseguiram.

Mas até para isso Bolsonaro e seus aliados terão dificuldade. Não há dinheiro suficiente para comprar o centrão, que tem um bolso sem fundo e quer mais. Mais para aprovar reformas (que nos fazem trabalhar mais e receber menos), mais para manter o impeachment na gaveta e mais para ajudar na reeleição. Seja forma de tratores ou vacinas superfaturadas e, melhor ainda, um ou outro ministério chave.

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Falta educação, falta emprego, falta comida, falta dinheiro, falta saúde, falta vacina. E economia ruiu, o Real sofreu massiva desvalorização e com isso o Dólar disparou. Vivemos com o fantasma da inflação e ninguém em sã consciência agradeceria ninguém deste governo em um supermercado. Está tudo caro.

Alguns já pularam fora do barco. Dizem nunca ter apoiado o presidente ou no máximo que votaram nulo ou no Amoedo. Faz parte. Outros insistem que tudo o que está acontecendo vale a pena para afastar os comunistas e petralhas do poder. E, para isso, juram reeleger o atual para evitar o “pior cenário”. Apesar de tudo o que está acontecendo.

Não há muito o que imaginar. Se alguém está ganhando alguma coisa com isso, apesar do desgoverno e da literal pilha de corpos, e ainda apoiar isso, só pode ser cúmplice. Há ainda os sonsos e iludidos, que fingem não estar acontecendo nada de errado com o presidente que disse que cagou. Isso sem contar os que sofreram uma lavagem ideológica e hoje são seguidores de um culto.

Está difícil e deprimente. Muita gente morreu. Os que continuam, perderam seu poder de compra e emprego. Nem mesmo a democracia ficará intacta, pois as próximas eleições estão em risco e perigando voltar no tempo em que Bolsonaro era eleito com votos suspeitos.

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Não dá pra continuar aceitando. Não é normal chegar e dizer “caguei” para o que está acontecendo. Como ainda justificar apoiar Bolsonaro, depois de tudo o que vem acontecendo? Só mesmo sendo cúmplice, sonso, iludido ou idiota.

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