25 de junho de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Cortes na Educação chegam a 54%, mas Bolsonaro critica manifestações de novo

Presidente admitiu que há bloqueio de recursos para a educação e disse que é preciso contingenciar em “tudo quanto é área” ou sofrerá impeachment

Presidente está no Dallas, sem ser convidado, para receber prêmio vetado em Nova York

O presidente Jair Bolsonaro disse, em Dallas, no Texas, onde se encontra com empresários e investidores americanos, que não é o responsável pelos cortes no setor e que a medida está sendo tomada para que ele não sofra um processo de impeachment no futuro.

“Quem decide corte não sou eu. Ou querem que eu responda um processo de impeachment no ano que vem por ferir a lei de responsabilidade fiscal, por não ter previsto que a receita, que agora é realidade, que a receita foi menor do que a despesa. É a realidade”. Jair Bolsonaro, presidente.

Por outro lado, ele admitiu que há bloqueio de recursos para a educação e disse que é preciso contingenciar em “tudo quanto é área” do governo porque não há dinheiro nos cofres públicos.

“Tem que contingenciar, infelizmente tem que contingenciar tudo quanto é área. Não é só um pouquinho na educação e um montão na defesa. Tem que contingenciar, não tem dinheiro”. Bolsonaro.

Incansável, ele também desqualificou novamente os protestos que aconteceram em capitais e centenas de cidades do país contra a redução do orçamento das universidades federais e bloqueou bolsas de pesquisa, afirmando que o setor está comprometido desde os governos do PT e que, por isso, não produz profissionais de qualidade.

Ele foi além e questionou dados do IBGE sobre desemprego, que divulgou que 5,2 milhões de desempregados buscam trabalho há mais de um ano, e disse que o número de desempregados é muito maior que os cerca de 14 milhões contabilizados pelo instituto.

“Daí se fala em milhões de desempregados? Tem, até mais do que isso. O IBGE está errado, tem muito mais do que isso. Agora, em parte, essa população não tem como ter emprego porque o mundo evoluiu. Não estão habilitados a enfrentar um novo mercado de trabalho.”. Bolsonaro, presidente.

Antes, o presidente já havia chamado os manifestantes de “idiotas”, “imbecis” e “massa de manobra”.

Reinaldo Centoducatte, presidente da Andifes

Painel de cortes

O corte no orçamento imposto pelo MEC (Ministério da Educação) às universidades federais chega a 54%, segundo dados apresentado pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que no mesmo dia lançou em Brasília, o “Painel dos Cortes”, com detalhes sobre o orçamento das instituições de ensino.

O bloqueio diz respeito aos repasses federais para gastos discricionários, que envolvem contas de luz e água, por exemplo, mas não salários. Segundo a Andifes, o orçamento discricionário para as 70 universidades é de R$ 6,99 bilhões e sofrerá um corte de 29,7%.

A UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) é a instituição de ensino mais afetada pelo bloqueio do governo, com 53,96% do orçamento discricionário afetado. Em seguida, aparece a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), com 52,04%.