20 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Covid-19: Números preocupam e mostram que Brasil está longe de ‘achatar a curva’

Governo Federal pratica uma evidente sabotagem e torcida contra às medidas recomendadas pela OMS, prejudicando e prolongando a pandemia no País

Países do mundo todo estão trabalhando para “achatar a curva” da pandemia de coronavírus. O achatamento da curva envolve a redução do número de novos casos COVID-19 de um dia para o outro. Isso ajuda a evitar que os sistemas de saúde fiquem sobrecarregados.

Quando um país tem menos casos novos de COVID-19 emergindo hoje do que em um dia anterior, isso é um sinal de que o país está achatando a curva. Para isso acontecer, deve-se fazer o óbvio: praticar o distanciamento social e, em último caso, o lockdown.

Com menos interação e contato entre as pessoas, menores as chances do vírus se espalhar.

Não no Brasil

Infelizmente, em uma evidente sabotagem (e torcida contra) às medidas recomendadas pela OMS, o governo Federal foi na contra-mão de governos e prefeituras do Brasil (e praticamente do resto do mundo) ao se preocupar quase que exclusivamente com a economia. E isso resultou em um avanço preocupante no número de casos no Brasil.

Com cidades do interior com números insuficientes (ou mesmo inexistentes) de UTIs, em breve deve haver uma corrida para as Capitais ou centros urbanos com melhores redes hospitalares. E ainda assim as vagas não serão suficiente para todos. Atualmente, há locais em que já houve o colapso. E o Comitê Científico do Consórcio Nordeste recomenda lockdown quando 80% das vagas estiverem ocupadas.

E isso tem tudo para acontecer nos próximos dias no Brasil.

Por duas vezes, o Ministério da Saúde já registrou mais de 700 mortes diárias e as previsões indicam que o total de mortos, hoje em mais de 11 mil, segundo o mais recente balanço, devem dobrar em 20 dias. Exatamente como havia previsto o ex-ministro Mandetta, quando este disse que o pico aconteceria nos meses de maio e junho.

Ele fora demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, que além de contrário à medidas da OMS (ele chegou até a atacar a Organização), fez defesa enfática de medicamentos que acabaram não tendo eficácia alguma. Ou seriam até mais perigosos, como a cloroquina e a hidroxicloroquina.

Johns Hopkins

Confira a seguir uma análise que usa uma média móvel de 5 dias para visualizar o número de novos casos COVID-19 e calcular a taxa de alteração. Isso é calculado para cada dia, calculando a média dos valores desse dia, nos dois dias anteriores e nos próximos dias.

Os dados a seguir são recentes, atualizados ainda ontem (10/). E mostram que o Brasil falhou em achatar a curva. Pois falhou em aplicar o distanciamento social. Isso sem levar em conta possível subnotificação.

Cada linha vertical indica os novos números de casos confirmados:

Há 74 dias desde o primeiro registro, o Brasil continua numa crescente. A única baixa acontece nos finais de semana, com certo atraso na entrega de exames. Números ainda podem dobrar e não indicam diminuição
Há 108 dias desde o primeiro caso confirmado, os EUA estabilizaram o número de novos casos. Mas segue com o maior número de mortes no mundo e tem uma longa batalha pela frente
Tendo passado por um pico e até mesmo quase perdido seu primeiro ministro, o Reino Unido estabilizou no número de novos casos, após um pico no início de abril
Itália, principalmente, e Espanha foram dois países que precisaram tomar medidas mais drásticas, como o lockdown, contra o avanço do coronavírus. Foram muitas mortes e ainda há muitos infectados, mas eles conseguiram achatar a curva
O Governo Francês interrompeu eventos esportivos neste ano, após mais de 26 mil mortos e 177 mil casos confirmados. Com as medidas de distanciamento, os números despencaram
A Bélgica, durante muito tempo, estabilizo o número de novos casos, mas tendo um declínio. Já a Alemanha é um caso de sucesso: apesar de seu tamanho, é um dos grandes da Europa com o menos número de óbitos confirmados. Ainda assim, quase 8 mil vidas perdidas.