9 de dezembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

CPI convoca governadores, “assesssores paralelos” e aprova retorno de Pazuello e Queiroga

Foram chamados apenas chefes de Executivos estaduais citados em investigações da Polícia Federal

A CPI da Pandemia aprovou nesta quarta-feira (26) a reconvocação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e do atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga. Os depoimentos ainda serão agendados.

O retorno de Pazuello vem após a participação do general em ato público em favor do presidente Jair Bolsonaro no domingo (23), no Rio de Janeiro, e depois do depoimento, nesta terça-feira (25), da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, que contrariou o que Pazuello afirmou na semana passada sobre a crise provocada pela covid-19 no Amazonas.

Aos senadores, Mayra afirmou que o ex-ministro da Saúde soube do desabastecimento de oxigênio em Manaus no dia 8 de janeiro. À CPI, Pazuello afirmou que foi informado apenas na noite do dia 10 de janeiro.

Convocações

Da mesma forma, foi aprovada a convocação de nove governadores e do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel para depor sobre suspeitas de desvio de recursos destinados ao combate ao coronavírus em estados e capitais.

Além disso, a existência de uma possível estrutura extraoficial de assessoramento ao presidente da República, Jair Bolsonaro, no combate à pandemia levou à convocação do ex-assessor da Presidência da República Arthur Weintraub e do empresário Carlos Wizard Martins.

Foram chamados apenas chefes de Executivos estaduais citados em investigações da Polícia Federal. Antes da votação, senadores se reuniram de forma secreta por mais de 1h30 em uma outra sala em busca de acordo em torno dos nomes que seriam convocados, mas a aprovação veio depois de intensos debates no colegiado e em meio a pedidos de convocações de outros governadores.

Weintraub foi convocado a partir de pedidos apresentados pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE). Reportagem e live nas redes sociais apontam que Weintraub coordenou o grupo de aconselhamento a Bolsonaro, sendo importante sua oitiva como testemunha, segundo Humberto.

Já a convocação de Wizard atendeu requerimento apresentado por Alessandro. “Wizard poderá ajudar a esclarecer os detalhes de um “ministério paralelo da saúde”, responsável pelo aconselhamento extraoficial do governo federal com relação às medidas de enfrentamento da pandemia, incluindo a sugestão de utilização de medicamentos sem eficácia comprovada e o apoio a teorias como a da imunidade de rebanho”, segundo o senador.