26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

CPI: Tolentino nega ser sócio do FIB Bank, mas relata encontros com Bolsonaro

Relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), e outros senadores fizeram questionamentos sobre o patrimônio do FIB Bank e os seus reais donos

O advogado e dono da Rede Brasil de Televisão, Marcos Tolentino, negou hoje, em depoimento à CPI da Covid, ser um “sócio oculto” do FIB Bank —empresa que atuou como fiadora da negociação de compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

“Eu, Marcos Tolentino, afirmo que não possuo qualquer participação na sociedade, não sou sócio da empresa como veiculado por algumas matérias”, declarou o depoente logo na abertura da oitiva.

Tolentino também relatou ter tido alguns “encontros” “meramente casuais” com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas negou ser amigo do governante.

“Informo que conheço o presidente desde o período em que era deputado Federal, mas não possuo nenhuma amizade pessoal ou qualquer outro tipo de relacionamento. Estive com ele em alguns encontros, meramente casuais. Inclusive, se pegar até as datas em que comecei a voltar para cá, já foi em junho, julho, no marco regulatório das TVs”. Marcos Tolentino.

Ao longo do depoimento, o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), e outros senadores fizeram questionamentos sobre o patrimônio do FIB Bank e os seus reais donos.

O advogado, no entanto, optou por exercer o direito ao silêncio na maioria das indagações, sob proteção de habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

FIB

O vínculo entre o nome do dono da Rede Brasil de Televisão e o FIB Bank ganhou força depois que diretor-presidente da empresa, Roberto Ramos Júnior, afirmou em depoimento à CPI que Tolentino havia atuado como advogado de Ricardo Benetti, com procuração para responder pelos sócios do FIB Bank.

Benetti é sócio de uma outra empresa, a Pico do Juazeiro, uma das acionistas do FIB Bank. Durante o depoimento de hoje, Tolentino confirmou que, no passado, foi sócio da família Benetti e atuou para as empresas de Ricardo e do pai, Ederson.

Em sua oitiva na CPI da Covid, Ramos Júnior tentou ressaltar que a procuração dada a Tolentino seria para representar somente a Benetti e a Pico, e não o FIB Bank.

Tolentino também presta esclarecimentos hoje devido a relação de amizade com o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), que integra a lista formal de investigados da CPI.

Ex-ministro da Saúde no governo Michel Temer (MDB), o deputado é suspeito de favorecer a Precisa Medicamentos, empresa que intermediou o negócio da Covaxin — antes de o contrato ser cancelado após suspeita de irregularidades —, e a farmacêutica Belcher — de Maringá, reduto eleitoral de Barros — para emplacar a compra da vacina chinesa Convidecia.