18 de maio de 2022Informação, independência e credibilidade
Política

Culto à burrice: Idiotas já têm palco cativo e ignorar a influência deles não cola mais

Muito se fala em “deixar cair no esquecimento”, mas e quando os idiotas já são formadores de opinião ou ocupam cargos de alto escalão?

Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já conheceu ou ouviu falar de alguém próximo que não batia muito bem da cabeça.

Seja por falta de educação escolar, inapropriada educação familiar ou mesmo alguma questão física/psicológica, este indivíduo era responsável por falar ou fazer besteiras “hilárias”, que ficavam notórias por ele te contar diretamente ou por alguém compartilhar estes contos.

Puro folclore, que acabava fazendo parte da piada do cotidiano na vizinhança, trabalho ou núcleo familiar. E mesmo com eventos beirando a insanidade, você e as pessoas próximas, com certo limite, podiam até se regozijar com algumas das pérolas.

Aqueles momentos de racismo imperdoável, os absurdos prováveis casos de violência doméstica, as histórias de orgulho em dirigir bêbado sem nunca bater o carro ou que a solução para acabar com o crime na sociedade seria matar quem não fosse cidadão de bem (ou seja, mais crime).

Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já ouviu falar de alguém assim, que não batia muito bem da cabeça. Especialmente hoje.

Muito, claro, por causa da proliferação de mídias sociais e da facilidade que é poder distribuir (qualquer) discurso por áudio e vídeo. O sujeito que não bate muito bem da cabeça sempre acaba com um palco e público cativo.

De uma forma ou de outra, o idiota do momento se torna um influenciável. Suas besteiras, seus discursos rasos e burros, são alcançados por milhares, milhões de pessoas.

Alguns destes, inclusive, produzem podcasts notoriamente populares, trabalham em rádios ou televisão de alcance nacional e, inclusive, são votados democraticamente em cargos de alto escalão, se tornando responsáveis pela criação e execução de leis.

Esses, portanto, não só formam opinião, como literalmente tomam os rumos de toda uma nação.

O debate ficou raso. A pessoa não tem mais vergonha de ser burra ou idiota. Atacando o conhecimento acadêmico – aquele que nunca tiveram – os responsáveis pelos discursos e ações idiotas se tornam populares exatamente porque pensar exige esforço. Há uma forte identificação.

Quando um idiota defende o partido nazista no Brasil, que não existe uma pandemia pra agir errado de todas as formas ou que fala em armar a população sem nem mesmo saber fazer um disparo, ele já tem seus replicadores. Já tem seu público. O que foi falado, já está lá.

A tal de “cortina de fumaça” ou “falar besteira de propósito para desviar de assunto” não cola. Não deveria existir isso de “fingir que não existe” ou “não dar palco”, pois não estamos falando de uma figura ignorável, daquele idiota que você conhecia na infância.

Estamos falando de influenciadores, de jornalistas, de economistas, de políticos e de presidentes. Tentar ignorar o que eles falam, defendendo que não se compartilhe o mesmo, é inútil: o discurso já está lá, mesmo que na bolha.

Geroge Carlin já tinha resumido isso bem: pense no quão burra uma pessoa normal pode ser é e perceba que a maioria da população é mais burra ainda que isso. E o que não falta são pessoas prontas para se deleitar, compartilhar e replicar este discurso. Seja com audiência ou voto.

Se um destes influenciadores, não importa a posição dele, faz ou comete algum burro (principalmente se a ação for criminosa), é preciso que uma enorme lupa seja colocada. E que sirva para ressaltar tudo o que há de errado no indivíduo.

Claro, há tanta besteira acumulada que fica até difícil de focar em um crime específico. O ponto é esse: o problema não é o crime, o problema é o indivíduo. Não há nada de errado em colocar “mais um crime na lista”. Não existe fadiga ao listar as besteiras que alguém diz ou fala.

A comemoração da morte de um destes idiotas mostra que, sim, é possível resumir tudo de errado num indivíduo só. Portanto, quanto mais erros (e crimes) forem listados, pior para este indivíduo, melhor para a sociedade.

Agora, preferir “não falar disso para não dar palco para idiota”? Acorde: este idiota já tem palco. E há vários deles concordando com prazer com tudo sendo dito e feito. Alguns, até mesmo, carimbando com um “eu autorizo”.

Fingir que eles não existe é perder mais terreno ainda. Como fingir grandes audiências ou mesmo todo um governo? A melhor estratégia é exatamente a que eles não tem: conhecimento. E saber como agir. Ou reagir.

Seja incentivando que estes percam seus recursos (cobrando dos patrocinadores, a exemplo do que o Sleeping Giants faz) ou não dando voto. E falando nisso…