29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Desafiando decreto, Barra de São Miguel celebra réveillon com público “diferenciado”

São mais de 10 eventos oficiais, alguns com mais de mil pessoas, que contam com globais e divulgação do prefeito Zezeco

A Praia do Gunga, na Barra de São Miguel, no Litoral Sul de Alagoas, é o cenário de sete dias de festas para a celebração do Réveillon 2021. São 13 eventos oficiais, com a divulgação do prefeito da Barra de São Miguel, José Medeiros Nicolau, o Zezeco. E segundo o Grupo Diretoria SP, organizadora do evento, o público é diferenciado: metade dos participantes recebem em torno de R$ 30 a 40 mil mensal.

Claro: por mais seleto e classe A que seja seu grupo, disposto a se entreter em uma semana de festa nesta virada de ano, é importante frisar: estamos em um momento de pandemia. E em Alagoas, um decreto do governador Renan Filho proíbe confraternizações com mais de 300 pessoas. O evento, portanto, é clandestino.

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Ainda assim, apesar das restrições ocasionadas pela pandemia do novo coronavírus, o evento vinha sendo divulgado normalmente para atrair o maior de número de público possível.

E não é uma festa qualquer: o Réveillon BSM oferece hospedagem, práticas de exercícios físicos com agendamento prévio, aulas coletivas e funcionais, passeios, concierge exclusivo, além de festas em barcos e mansões com previsões de termino às 8h da manhã do dia seguinte.

Claro, como não tocar no público diferenciado:

Além dos já citados 48% que recebem entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, outros 26% tem rendimentos de R$ 20 a 30 mil, 19% recebem acima de R$ 40 mil e apenas 7% recebe de R$ 10 a 20 mil.

Estes são números oficiais divulgados pelo próprio organizador do evento, o Grupo Diretoria SP, que incluiu ainda o número de seguidores de cada influencer convidado.

A programação segue até o dia 31, com ceia inclusa, a partir das 21h seguindo até às 9h do primeiro dia de 2021.

Decreto

Segundo o mais decreto contra o avanço do novo coronavírus em Alagoas, o governador Renan Filho assinou um texto suspendo festas de Réveillon em todo o estado, incluindo as particulares.

Prontamente, bares alagoanos cancelaram seus eventos para cumprirem o decreto estadual. Aos que mantiveram suas atividades, buscaram se manter nas regras, como a capacidade limitada de participantes, a 150 pessoas, seguindo os protocolos sanitários exigidos como o uso de máscaras, distanciamento social.

O que não é o caso em São Miguel.

Dentre os participantes de perfil “classe A”, estão os atores Gil Coelho e o global Henri Castelli, além de músicos como o cantor de axé baiano Léo Santana, criticado nesta semana por lotar um show no Rio Grande do Norte. Claro, todos são máscaras. E o distanciamento social nem é relevante mais.

Somente uma das festas, a “Felline”, estima receber cerca de 800 convidados. Uma delas, open bar em uma ilha, deve contar mais 1.500 pessoas. Nesta segunda, um evento realizado nas falésias teve cerca de mil convidados.

Os participantes da festa devem apresentar um exame de Covid-19, atestando que não está infectado ou que já teve a doença. Entretanto, a fiscalização é falha, pois pessoas relatam ao portal CadaMinuto que não tiveram que apresentar nenhum tipo de exame.

Realmente, a vida classe A é muito mais fácil. O duro é ser inferior, e ter que conviver que todos estes que voltaram para suas casas em outros estados, vão interagir com as classes mais baixas e estes é que sofrerão com faltas de leitos ou qualquer tipo de recurso contra a covid-19.

Mas qual maneira mais coerente de celebrar a chegada de 2021, que não repetindo o que fez de errado em 2020, não é mesmo?