21 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
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Desde Ulysses Guimarães: patriota que trai a constituição é traidor da pátria

O patriotismo turvo do brasileiro valoriza sempre o que vem de fora, em detrimento da cultura nacional.

Patriotismo turvo resulta sempre na estupidez

Quando um gestor público decide descumprir uma decisão judicial – seja ele quem for em qualquer canto do País – comete crime de responsabilidade.

No Brasil hoje, há um rito de ignorância e estupidez tamanha que as pessoas sonham e estimulam a desobediência à Constituição, carta magna da República, e as decisões judiciais.

E o fazem com o argumento de que estão agindo como “patriotas”. Muitos sem noção do que seja de fato o patriotismo.

Mas, essa é a nova onda da sociedade atual, com ou sem pandemia. Aonde tudo isso vai parar, só o tempo vai nos dizer a todos e de que forma.

As pessoas andam no grau de insensatez tão elevado que estão criando as próprias regras de obediência às normas constitucionais.

O sujeito pega uma arma nas mãos, se exibe nas redes sociais, induzido por aberrantes notícias falsas, e berra aos ouvidos de quem quiser ouvir: – Eu sou um patriota!

Na verdade é um patriota às avessas. Em qualquer lugar do mundo, o patriotismo não se restringe apenas a símbolos e o orgulho de ser de um determinado lugar. Mas, também pelo respeito e amor a cultura, as riquezas nacionais, o meio ambiente e o bem estar da coletividade.

O patriotismo brasileiro é outra coisa. Segue um roteiro diferenciado: é o carro, é a fazenda, é o cavalo é o boi e o que vem depois.

Normalmente não gosta do carnaval, nem do cinema nacional. Odeia a cultura brasileira e ama tudo que é produzido lá fora, de preferência pelos norte americanos.

Nessa concepção, ai de quem não concordar com ele: é comunista.

Exatamente em nome desse patriotismo turvo vem a gritaria contra tudo e todos e, inclusive, as leis vigentes no País. Quem não segue a cartilha é considerado traidor da pátria.

Em suma, isso não tem nada de patriotismo. É apenas a ignorância alimentando a própria estupidez.

Aliás,  Ulysses Guimarães, um dos grandes nomes da redemocratização do País, disse certa vez que “traidor da Constituição é traidor pátria”.

Ou seja, para bom entendedor, meia palavra basta.