26 de setembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Alagoas

Dinastia Higino se mantem em Campo Grande (AL) com eleição do sobrinho de prefeito cassado

Candidato do ex-prefeito flagrado em vídeo contando dinheiro de propina, Téo Higino vence por 9 votos de diferença e família já soma mais de 20 anos no poder

Neste domingo (12), cinco municípios brasileiros elegeram novos prefeitos em eleições suplementares. Entre elas em Campo Grande, Agreste de Alagoas. Na oportunidade, Teo Higino (Republicanos) conquistou 3.270 votos (49,83%) e foi eleito com 9 votos a mais do que Cícero Pinheiro (MDB), que liderava durante a apuração e obteve 3.261 votos (49,70%).

Teo Higino, o novo prefeito, é sobrinho de Arnaldo Higino, que foi afastado em dezembro do ano passado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu, anular a eleição majoritária do município. Arnaldo teve ainda seu registro de candidatura indeferido.

“Fui impedido de andar com a minha grande família, o povo de Campo Grande. A partir de hoje, Téo será Arnaldo para todos vocês, que acreditam em nosso projeto. Todos que votariam em mim, votem em Téo”. Arnaldo Higino, o ex-prefeito em janeiro deste ano.

Após ele vencer em novembro de 2020, seus 3.372 votos (51,40%) foram anulados porque o Tribunal de Contas da União (TCU) que considerou irregular a aplicação de verbas federais repassadas ao município pela Funasa, no período em que Arnaldo Higino e seu sucessor exerciam o cargo de prefeito.

Isso tudo porque em novembro de 2017, Arnaldo Higino foi preso em flagrante, sendo flagrado em vídeo contando dinheiro vindo de propina. No vídeo era possível ver o prefeito contar as cédulas e moedas da propina, além de checar o valor exato do valor através de comprovantes bancários, que é de R$ 1.871,00.

Afastado, ele determinou ao então prefeito em exercício, Igor Higino, que é seu filho, a suspensão do repasse do duodécimo da Câmara de Vereadores.

Dinastia itnerante

Além disso, o MP Eleitoral também considerou Higino inelegível (ainda o Arnaldo) pela prática de itinerância entre os municípios de Campo Grande e o vizinho Olho d´Água Grande.

Sua esposa Suzanice Higino Bahé, a Suzy Higino, do Partido Progressistas, também teve sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral e não seria mais candidata a prefeita na cidade de Olho D’água Grande, interior de Alagoas.

De nada adiantou: ela foi eleita no ano passado com 44,79% dos votos. Sua vice é Anny Laira Bahe Higino Lessa, ou Anny Higino. Filha dela com Arnaldo Higino.

Segundo a justiça, a continuidade familiar no exercício do cargo de prefeito por quase 16 (dezesseis) anos ininterruptos teria pesado contra a ex-prefeita.

A Constituição Federal não permite uma troca de bastão entre familiares para que a cidade fosse comandada pela mesma família. E na dinastia dos Higino, há um revezamento nas prefeituras de Campo Grande e Olho D’Água Grande, desde 2004.

E como o núcleo familiar compartilha da impossibilidade de se reeleger para o mesmo cargo de prefeito por infindáveis e ininterruptas vezes, sua filha, Anny Higino, vice na chapa, também teve seu registro indeferido.

“Os genitores da impugnada, de forma ininterrupta e alternada, exerceram o cargo de Prefeito dos referidos municípios, por quatro mandatos consecutivos, pretendendo-se atualmente alcançar o quinto mandato consecutivo para o mesmo cargo, uma vez que Maria Suzanice Higino Bahe e Anny Laira Bahe Higino Lessa são candidatas aos cargos de prefeita e vice-prefeita do Município de Olho D’água Grande/AL, respectivamente, nas eleições deste ano”. Decisão da Justiça na época.

Ambas tomaram posse no início deste ano. E logo devem receber Teo Higino, que como novo prefeito de Campo Grande, garante mais de 20 anos de controle familiar neste município do Agreste de Alagoas.

É atribuída a Winston Churchil, primeiro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, a infame frase “a democracia é a pior forma de governo com exceção de todas as demais”. Claro, em teoria a vontade da maioria sempre deve prevalecer, mas nada garante que o desejo popular esteja sempre condizente com o que seria melhor. É o que temos, até um novo modelo, talvez utópico, o substituir.

Existe diversos fatores que explicariam algo não ideal acontecer democraticamente: a vitória de reformas que prejudicam os mais necessitados, perdas de direitos ou regimes claramente corruptos e retrógrados acontecem por ignorância, despreparo, mentiras e, claro, de novo, a boa e velha corrupção.

Tendo dito isso, se foi colocado no voto, que se retire no voto. Ou que se coloque novamente. Como aconteceu novamente em Campo Grande. E agora são mais de 20 anos e contando desta família em particular à frente da prefeitura da cidade.