29 de julho de 2021Informação, independência e credibilidade
Esportes

Diretor da Abertura das Olimpíadas é demitido por piada sobre o Holocausto contada em 1998

Vídeo foi divulgado na madrugada desta quinta-feira, causando grande polêmica

O diretor artístico da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas de Tóquio, Kentaro Kobayashi, foi demitido por fazer uma piada há duas décadas sobre o Holocausto, anunciaram hoje os organizadores do evento.

“Soubemos que durante um espetáculo no passado ele usou uma linguagem burlesca ao se referir a este trágico episódio do passado (o Holocausto, o genocídio de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial)”. Seiko Hashimoto, chefe da organização das Olimpíadas no Japão.

A polêmica cena, gravada em vídeo em 1998, mostra Kobayashi e outro ator interpretando comediantes infantis famosos na televisão japonesa.

Em um momento da gravação, Kobayashi se refere a alguns bonecos de papel como “aqueles que você disse da última vez: ‘Vamos brincar de Holocausto!'”, causando risos na plateia. A dupla faz outra piada sobre a raiva que essa referência ao Holocausto provocaria em seu produtor de televisão.

Leia mais: Mesmo com jogos sem torcida, Tóquio teme onda de mortes por Covid-19

Esse vídeo foi divulgado na madrugada desta quinta-feira, causando grande polêmica. Em um comunicado, Kobayashi se desculpou por palavras “extremamente inadequadas”.

Em nota divulgada horas depois, o Comitê Local se pronunciou sobre o acontecido afirmando que Kobayashi foi desligado da equipe após “piada feita sobre um evento doloroso, passado e histórico”.

Ainda na nota, afirmou que “oferece as mais profundas condolências por qualquer ofensa e angústia causada para as pessoas envolvidas nos Jogos Olímpicos assim como japoneses ou cidadãos do mundo”.

A abertura dos Jogos de Tóquio acontece nesta sexta-feira (21). E por causa da Covid-19, será uma cerimônia muito mais sóbria. Em vez de 10 mil atletas marchando em um estádio lotado, como sempre, o desfile das equipes será menor, em um estádio Olímpico de Tóquio praticamente vazio, exceto por algumas centenas de autoridades, e com rígidas regras de distanciamento social.