22 de janeiro de 2022Informação, independência e credibilidade
Economia

Dólar dispara (e Guedes fica mais rico) com ministro da Economia falando em furar teto de gastos

Ipiranga de Bolsonaro falou em “licença para gastar R$ 30 bilhões fora do teto” para bancar um benefício de R$ 400 em 2022

Os ativos brasileiros negociados nos mercados externos despencavam na manhã desta quinta-feira (21), replicando a má reação das praças domésticas a declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre despesas fora do teto de gastos.

O dólar comercial operou em alta e a Bolsa caiu.. Por volta das 10h30 (de Brasília), a moeda norte-americana subia 1,36%, negociada a R$ 5,637. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, operava em baixa de 1,7%, atingindo 108.903,03 pontos.

O mercado reage a declarações dadas ontem pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que falou em “licença para gastar R$ 30 bilhões fora do teto” para bancar um benefício de R$ 400 em 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentará a reeleição. O teto de gastos, que congela os gastos públicos, é uma regra constitucional criada no governo Michel Temer.

Pessoalmente, isso é até bom para Guedes, que mantém US$ 9,55 milhões nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe, ou atuais 53,83 milhões de reais.

O governo articula para alterá-la e concretizar o furo por meio da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) dos precatórios, em tramitação na Câmara. O temor de investidores é que o rompimento do teto abra caminho para o descontrole das contas públicas.

Nesta manhã, no entanto, o ministro da Cidadania, João Roma, informou um número superior ao citado por Guedes. Segundo ele, o governo busca mais de R$ 40 bilhões.

Ontem (20) o dólar recuou 0,5% e terminou o dia cotado a R$ 5,56 na venda. A Bolsa ficou quase estável, com leve alta de 0,1%, e fechou o dia aos 110.786 pontos.

Gasto “de campanha”

Com a popularidade em baixa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou que vai bancar um aumento temporário do Auxílio Brasil para garantir o pagamento de pelo menos R$ 400 a 16,9 milhões de famílias até o fim de 2022, ano em que ele buscará sua reeleição.

Para chegar a esse valor, Guedes admitiu a necessidade de uma “licença para gastar” fora do teto de gastos. A reação dos preços aconteu justamente por Paulo Guedes defender o rompimento do teto de gasto, regra fiscal que limita a despesa pública ao orçamento do ano anterior corrigido pela inflação.