29 de novembro de 2021Informação, independência e credibilidade
Brasil

Em Dubai, Bolsonaro diz que ataques contra Amazônia são injustos: “paraíso intocado que não pega fogo”

Presidente diz que a floresta amazônica está intocada desde a chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500

Ao participar de evento com investidores em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o presidente Jair Bolsonaro disse hoje (15) que os ataques que o Brasil sofre em relação à Amazônia não são justos e convidou autoridades árabes e investidores locais a conheceram a região.

“Nós queremos que os senhores conheçam o Brasil de fato. Uma viagem, um passeio pela Amazônia é algo fantástico. Até para que os senhores vejam que a nossa Amazônia, por ser uma floresta úmida, não pega fogo”. Jair Bolsonaro, presidente.

Vivendo em um mundo paralelo aceito apenas por seus seguidores, o presidente não só contrariou dados sobre desmatamento, como inventou dizer que a floresta amazônica está intocada desde a chegada de Pedro Álvares Cabral, em 1500.

Tudo isso para, logo depois, emendar com a agricultura nacional, chamada por ele de mais pujante do mundo. E um dos motivos de desmatamento e queima tanto na Amazônia quanto no Pantanal: muito da destruição é provocada pelo agronegócio, para plantação de soja e pasto para gado, além de mineração com garimpos ilegais e venda de madeira via contrabando.

“Temos uma das agriculturas mais pujantes do mundo. Alimentamos mais de 1 bilhão de pessoas pelo mundo. Sabemos da nossa responsabilidade. Todos sabem que qualquer país busca a sua segurança alimentar. O Brasil está de portas abertas para negócios voltados para a agricultura”. Jair Bolsonaro.

Terra arrasada

A realidade é outra: Amazônia teve o 1º semestre de 2021 com maior área sob alerta de desmate em 6 anosForam 3.325,41 km², segundo sistema de monitoramento do Inpe, mesmo sem contabilizar os dados dos últimos 5 dias de junho.

Além do desmate, uma grande área de floresta está sob risco de queimadas nesta temporada. O alerta é de um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Woodwell Climate Research.

Segundo os pesquisadores, as áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019 e uma seca intensa provocada pelo fenômeno La Niña indicam atenção especial no combate ao fogo, especialmente no sul do bioma.

Ou seja: não há umidade no mundo que impeça a queima patrocinada por Bolsonaro.