26 de outubro de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Em entrevista, Mourão diz que o torturador Ustra era um “homem de honra”

Ustra tornou-se o primeiro oficial condenado na Justiça brasileira em uma ação declaratória por sequestro e tortura durante a ditadura

Em entrevista a imprensa alemã, vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado por tortura, foi um homem de “honra” que respeitava os direitos humanos de seus subordinados”:

“O que posso dizer sobre o homem Carlos Alberto Brilhante Ustra, ele foi meu comandante no final dos anos 70 do século passado, e era um homem de honra e um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados. Então, muitas das coisas que as pessoas falam dele, eu posso te contar, porque eu tinha uma amizade muito próxima com esse homem, isso não é verdade”. General Mourão, vice-presidente ao Deutsche Welle.

Mourão disse que a tortura não é uma prática que o governo brasileiro concorda ou “simpatize”, mas afirmou que muitas pessoas que lutaram contra guerrilhas urbanas nos anos 60 e 70 foram “injustamente acusadas de serem torturadoras”.

Em 2008, Ustra tornou-se o primeiro oficial condenado na Justiça brasileira em uma ação declaratória por sequestro e tortura durante o regime militar. Ele comandou o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações) do 2º Exército (SP) de 1970 a 1974, no auge do combate às organizações da esquerda armada.

Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, só na gestão de Ustra, o DOI de São Paulo foi o responsável pela morte ou desaparecimento de ao menos 45 presos políticos. Ele morreu em 2015.

Veja a repercussão:

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