18 de janeiro de 2021Informação, independência e credibilidade
Política

Em nota, Forças Armadas enviam recados ao Congresso, STF e Bolsonaro; Confira

Após os protestos anti-democráticos de domingo, presidente afirmou que ‘Forças Armadas’ estavam com quem pedia fechamento do Legislativo e Judiciário

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, assinou uma nota das Forças Armadas, nesta segunda (4). A manifestação é sobre a crescente de tensão entre os Poderes, que teve mais um capítulo com os recados intimidatórios do presidente Jair Bolsonaro em ato neste domingo (3) contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Confira a nota na íntegra:

As Forças Armadas cumprem a sua missão Constitucional.

Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os Poderes imprescindíveis para a governabilidade do País.

A liberdade de expressão é requisito fundamental de um País democrático. No entanto, qualquer agressão a profissionais de imprensa é inaceitável.

O Brasil precisa avançar. Enfrentamos uma Pandemia de consequências sanitárias e sociais ainda imprevisíveis, que requer esforço e entendimento de todos.

As Forças Armadas estarão sempre ao lado da lei, da ordem, da democracia e da liberdade. Este é o nosso compromisso.

Fernando Azevedo e Silva, Ministro de Estado da Defesa.

Diretas e indiretas

No texto, é possível observar que as Forças Armadas, de acordo com o ministro de Estado da Defesa, prezam pela Constituição. E apesar de considerarem a importância da independência, enaltecem ainda a harmonia.

Portanto, é possível ver ali uma crítica ao impedimento da Ramagem, amigo de Bolsonaro, assumir a PF. Mas este fora barrado pelo STF, provocando a ira de Bolsonaro e seus seguidores. Entretanto, esta cólera quebra a harmonia, pregada por Fernando Azevedo no texto.

E de forma mais direta, disseram ser inaceitável a agressão à imprensa em um país democrático e que as brigas entre poderes precisam ser deixadas para trás, pois o país enfrenta uma ‘pandemia de consequências sanitárias e sociais ainda imprevisíveis’. Pandemia essa, ignorada por Bolsonaro.

Apesar disso tudo, vale lembrar que o próprio ministro Fernando Azevedo e Silva, em 31 de março, dia do golpe militar de 1964, que iniciou uma ditadura que durou até 1985, afirmou que o “movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira”, principalmente “pelo que evitou”.

Protestos

Após carreata, os manifestantes, de verde e amarelo, com camisas da seleção brasileira, bandeira do país e faixas de ordem contra outros poderes, foi até o Palácio do Planato. Eles foram recepcionados pelo presidente Bolsonaro, que disse estar com as Forças Armadas “ao lado do povo” e que “chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui pra frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição”.

Na oportunidade, jornalistas que cobriam o protesto em Brasília foram agredidos e ameaçados por manifestantes bolsonaristas. O presidente disse que ‘infiltrados’ e ‘malucos’ foram responsáveis pelas agressões e não se desculpou. Nem mesmo a pandemia foi mencionada.