
A política tem caminhos movediços, autênticas armadilhas, às vezes imperceptíveis diante dos menos cautelosos.
A crítica sem exercício comparativo, por exemplo, é uma dessas aratacas.
E não é que João Henrique Caldas acabou de cair numa urupuca que o seu próprio grupo político criou?
Seguinte: ao tentar fragilizar o bloco adversário na sucessão estadual, JHC comentou a prisão de Patrick Almeida, o PTK, associando o influenciador ao MDB e culpando o partido do senador Renan Filho, seu concorrente direto.
Com isso, alimenta o debate sobre a violência em Alagoas, um tema nada favorável aos integrantes do PSDB, mais novo partido do ex-prefeito de Maceió.
Claro que João Caldas filho pode comentar prisões, atacar o próprio PTK, denunciar infrações cometidas, tudo bem, mas forçar a barra para expor o MDB, como se a legenda fosse responsável, pegou mal porque remete a um passado indigesto para os tucanos.
E também porque, no caso atual, a Polícia alagoana investigou e prendeu PTK e outros nove acusados de ligações com o Comando Vermelho em Alagoas, coisa que a segurança não fazia quando o PSDB administrava o Estado. .
Tentar atingir Renan Filho e Paulo Dantas focando a violência constitui erro primário. Erro que tende a escalar durante a campanha por motivo óbvio relevado pelo ex-prefeito: seu novo partido, o esgotado PSDB, governou o Estado em dois mandatos sucessivos (entre 2007 e 2014), exato período em que a violência aqui bateu seu recorde e Alagoas assumiu o topo da criminalidade nacional.
A ponto, veja só, de o governo estadual ter sido obrigado a ir às pressas pedir socorro em Brasília, depois que o médico José Alfredo Vasco Tenório foi brutalmente executado à bala no dia 26 de maio de 2012, na Jatiúca.
O estampido ecoou forte, causou profunda comoção e revolta, e serviu para mostrar ao Brasil o extremo grau de violência que o PSDB, no exercício do governo, permitiu que se instalasse em Alagoas.
JHC deve saber disso pois à época já se iniciava na política ocupando uma vaga na Assembleia Legislativa.
Foi um período em que abundavam assaltos a bancos, invasões de residências, ataques a postos de combustíveis, assaltos incessantes nos coletivos urbanos, roubos de cargas no interior. Furtos de celular, então, era farra diária dos meliantes.
Crimes em grosso e varejo, estado entregue aos bandidos, muitos vindos de fora. Ninguém estava seguro, um clima de desgraça e medo que parecia não ter fim. Um pandemônio.
Até que veio a eleição de 2014, o PSDB foi repelido, definhou e sumiu.
Eleito governador, o já então deputado federal Renan Filho precisou de dois anos para colocar Alagoas ‘nos eixos’:
Dentre muitos avanços – novos hospitais, estradas novas, escolas de tempo integral, UPAs, Canal do Sertão – organizou a segurança pública e venceu a bandidagem contendo a maré de crimes que assolava o Estado e castigava os alagoanos de todas as classes.
Claro que JHC conhece a história.
E veio a sucessão, um pouco antes Renan Filho se elegeu senador e Paulo Dantas o sucedeu no governo. O resultado está aí: Alagoas se desenvolvendo com força, conquistas em todas as áreas e sua população cada dia mais protegida pela redução histórica e contínua dos índices de violência, com destaque para a queda vertiginosa dos crimes violentos contra a vida.
Por tudo isso, soa anedótico ‘um tucano’ tardio questionar violência em Alagoas.
E o dado político relevante é que o ataque irrefletido de JHC jogando o tema violência pra cima dos governistas ensejou fulminante réplica do governador Paulo Dantas, comparando os governos do MDB de hoje com os do PSDB de ontem.
Para completar, Dantas ainda revira o calo do contendor ao afirmar que, na eleição municipal de 2024, JHC apoiou o influenciador PTK para vereador, num esquema em que ele foi usado pelo Comando Vermelho para se infiltrar na política por aqui.
Xeque-mate.














